Funcionários dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Os funcionários dos Correios começaram hoje(18) uma greve por tempo indeterminado. Eles querem a restauração de direitos estabelecidos em acordo coletivo, e a realização de concurso público. Aqui no estado, segundo Edmar Leite, presidente Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintec-MT),  faltam pelo menos 700 profissionais.

Segundo ele, desde junho tramitam negociações junto aos Correios, mas as tratativas foram cortadas por parte da empresa e não houve avanço das solicitações dos trabalhadores.

Ele diz que os funcionários são contra a privatização proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não vai ser bom para ninguém. Nenhuma empresa vai estar em todos os municípios, como o Correios está, nem fazer o que ele faz pelo preço que é acessível a todas as pessoas”.

Ele reclama ainda que a categoria quer a retomada do acordo coletivo que previa direitos para 2019 e 2020 e que foi encerrado pela empresa, sem renovação. Edmar conta que a briga pelo acordo esse ano seria desnecessária, pois o combinado no ano passado valeria por um biênio. No entanto, por decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), o prazo do acordo foi afetado e reduzido para só um ano. Ao fim dos meses em vigor, ele foi encerrado e a empresa não fez nova renovação junto a categoria.


 

Outro lado

 

 

"Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados conforme contracheques em anexo que comprovam tais afirmações.

 

Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa.

 

No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional.

 

Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

 

A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

 

Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos".