CARNE BOVINA

Preço não cai por ganância do varejo, afirma indústria

A interrupção da compra de carne bovina pela China coloca produtores, indústria e varejo em rota de colisão. A pressão pela queda dos preços do quilo da carne, ao consumidor final, é grande e vem frustrando expectativas do mercado.

A disputa se acentuou depois que os chineses, responsáveis pela compra de 50% da carne bovina brasileira exportada, deixaram de adquirir essa proteína devido à ocorrência de dois casos atípicos de vaca louca. 

A saída dos chineses do mercado brasileiro, há mais de 50 dias, está provocando grandes dificuldades à cadeia produtiva.

A arroba de boi gordo recuou para R$ 260 na sexta-feira (22). Esse valor é 19% inferior ao preço do final de junho, quando o gado atingiu R$ 322 por arroba. O preço do quilo da carne bovina cai também no atacado. O valor atual, cotado a R$ 19 o kg, em média, está 5% abaixo do de há um mês, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).   

O varejo, no entanto, segue caminho contrário. Nos últimos 30 dias, a carne bovina subiu 0,64% nos supermercados e açougues, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). 

O Sindifrigo-MT (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso), em nota da semana passada, disse que, apesar da queda dos preços do boi e da carne bovina no atacado, não há mudanças nos preços ao consumidor. 

A queda dos preços da carne no varejo foi 0%, "uma distorção que mostra a ganância de um elo que não quer fazer parte de uma corrente da cadeia", diz a nota. 

Para os pecuaristas, uma ação do varejo no sentido de reduzir preços e margens aumentaria a venda da proteína, ajudando a desovar o gado confinado atualmente. 

Há quem, inclusive, apele para uma intervenção do governo nos preços da carne, um suicídio cometido pela Argentina, e que desarticulou a cadeia produtiva do país por longo prazo.

 

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