A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) emitiu uma nota nesta sexta-feira (30) par esclarecer que os cortes e costuras encontrados no corpo de Gabrieli Daniel de Moraes, assassinada pelo esposo PM Ricker Maximiano de Moraes, não são fruto de tortura.
De acordo com a Politec, as incisões e suturas encontradas no corpo “são resultantes da realização de técnicas de abertura do corpo para a realização do exame de necropsia”.
“As incisões cirúrgicas no braço e nas costas, e atrás da orelha, são necessárias para a localização os projéteis alojados na vítima, identificação da trajetória do tiro, e que deixam lesões no corpo após término.”
Ao receber o corpo de Gabrieli para o velório, que aconteceu no Pará, a família da mulher relatou que ela havia sido torturada pelo PM que cometeu o feminicídio, antes de ser assassinada com três tiros de pistola .40.
“A gente chamou o funerário, porque a gente queria ver, puxar um pouco da roupa, para ver o corpo como que estava. Porque quando chegou lá, eles já perceberam que estava muito deformada. O rosto dela tinha o corte atrás da orelha, estava costurado. Então eles perceberam que tinha cortes, bastante ferida, bastante hematomas, estava costurado. Horrível, horrível”, relatou a prima de Gabrieli, Elaine Cristina.
No entanto, a Politec descartou que tenha havido tortura e outras agressões, além dos tiros disparados por Ricker, que tiraram a vida de Gabrieli.
“O exame de necropsia não apontou lesões corporais decorrentes de agressões, exceto as lesões por arma de fogo que causaram a morte da vítima”, explica a nota.
O crime
Gabrieli Daniel de Moraes, de 32 anos, foi morta pelo marido, o policial Ricker Maximiano de Moraes, com três tiros de uma pistola .40. Ela morreu na cozinha da casa onde morava com o policial e os dois filhos do casal, de 3 e 5 anos, que presenciaram o crime, no bairro Praeirinho, em Cuiabá.
Após matar a esposa, o militar fugiu do local, levando as crianças e depois as deixou na casa de seu pai. Ele se entregou à polícia horas mais tarde, após a repercussão do crime. Assim que foi acionada dos fatos, os policiais da DHPP iniciaram as diligências e conseguiram apreender o celular do investigado e o veículo utilizado na fuga, na residência dos pais do policial. A arma utilizada no crime foi apresentada na delegacia pela Polícia Militar.
Ricker passou por audiência de custódia na segunda-feira (26), ocasião em que sua defesa pediu pela liberdade provisória alegando quadro de depressão grave, quadro de instabilidade emocional e episódios de ideação suicida. O pedido foi negado e a Justiça determinou que ele ficasse custodiado em cela no Bope.
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