A investigação sobre a agressão a uma estudante na Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia (a 415 km de Cuiabá), revelou um cenário mais grave do que o inicialmente divulgado. Durante a coletiva de imprensa ontem (6), as autoridades confirmaram que o grupo de adolescentes envolvidas pode ser muito maior, com a suspeita de que mais de 20 alunos fazem parte da organização, com idades de 11 a 14 anos.
Três das adolescentes envolvidas no ataque foram internadas provisoriamente, após um pedido do Ministério Público, já acatado pela Justiça.
O secretário de Segurança Pública, Coronel César Roveri, explicou que a investigação continua. "A internação é objetiva das pessoas que participaram no ato que estão registrados. Como eu disse, tem uma investigação em curso e ela continua. Se forem identificados mais adolescentes que estejam envolvidos, se aparecerem as imagens, depoimentos, testemunhas, enfim, essa investigação...", disse o coronel.
O promotor Frederico Ribeiro complementou que, além das três adolescentes internadas, há outras investigações. "Inclusive que pode haver outras vítimas, nós também tomaremos as providências. Pode ter até mais envolvidos entre os alunos também, que cometeram atos infracionais."
A menção a outras vítimas sugere que a jovem que aparece no vídeo não foi a única a ser agredida pelo grupo. Inclusive, as próprias envolvidas já informaram que houve pelo menos outras quatro agressões, cujos vídeos foram encontrados nos celulares delas.
O secretário de Educação, Alan Porto, reforçou que o grupo se inspirava em vídeos nas redes sociais sobre "salves" e tinha uma estrutura hierárquica para coagir os menores.
Com a continuidade da investigação, a expectativa é que todas as ramificações desse grupo sejam identificadas. O Coronel Roveri enfatizou: "Nós confiamos muito no trabalho da equipe da polícia. E como eu disse, também em parceria com o Ministério Público e Judiciário, senão não seria possível a gente chegar rapidamente nessa resposta para a sociedade".
Em resposta ao incidente, a Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc) anunciou que a Escola Estadual Carlos Hugueney será transformada em uma unidade cívico-militar.
Entenda o caso
O caso ganhou repercussão nessa terça-feira (4), após a divulgação de um vídeo nas redes sociais mostrando a jovem sendo espancada por várias colegas de turma, sem qualquer reação da vítima (veja o vídeo).
As imagens mostram a estudante ajoelhada de frente para um muro, sendo atacada com tapas, socos e chutes por um grupo de adolescentes que se revezam nas agressões. Em determinado momento, uma das agressoras chega a utilizar um cabo de vassoura para bater na vítima, intensificando ainda mais a violência.
A adolescente de 12 anos, que foi vítima, integrava um grupo de alunos que simulava uma facção criminosa. De acordo o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, responsável pela investigação do caso, a menina estava sendo punida por ter negado um pedido das colegas que a agrediram.
“O que foi apurado até o momento consta que um grupo de alunos, aproximadamente 20 alunos dessa escola, talvez inspirados por essa bandidolatria […] resolveram entre eles criar um grupo definindo regras, líder, disciplina, copiando mais ou menos o que ocorre dentro das facções criminosas hoje.[…] Elas resolveram montar esse grupo e definir ali algumas atribuições, algumas regras e essa aluna que foi agredida teria descumprido uma dessas regras criadas por esse grupo”, afirmou o delegado.
Marcos Paulo explicou ainda que entre as regras do grupo estava o fato de que a vítima agredida não poderia chorar, caso contrário, as agressões se intensificavam. O delegado identificou ainda que esta não foi a primeira vez que as agressões ocorreram. “E ao ouvir essas adolescentes que participaram desse ato bárbaro, elas inclusive confidenciaram que agrediram outras quatro colegas também que teriam descumprido essas regras. Nós fizemos a apreensão dos celulares e constatamos esses vídeos dessas outras agressões.”
Durante as investigações, o delegado descobriu ainda que algumas dessas adolescentes fazem partes de família ligadas a essas organizações: “Nós fizemos o levantamento histórico dessas adolescentes, da família. Algumas famílias infelizmente têm movimento com facção criminosa, talvez pode ter culminado nessa ideia de criar esse grupo, de reproduzir aquilo que talvez aconteça em casa, dentro do ambiente escolar”.
FOTO: REPRODUÇÃO









