MORTE DE PERSONAL TRAINER

Policial confessa crime durante depoimento em Cuiabá

  

O soldado da Polícia Militar Raylton Duarte Mourão, principal suspeito de envolvimento no assassinato da personal trainer Rozeli da Costa Souza Nunes, confessou o crime em depoimento à Polícia Civil de Mato Grosso. A confissão foi confirmada pelo delegado Edison Pick, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em uma breve entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (22).

De acordo com o delegado, o policial se apresentou voluntariamente na tarde de domingo (21) no 1º Batalhão da PM, onde é lotado. Na manhã desta segunda, ele foi levado à DHPP para prestar interrogatório.

"O policial militar Raylton se apresentou ontem ao primeiro batalhão, onde ele é lotado, e na data de hoje se apresentou aqui na DHPP para prestar o devido interrogatório", afirmou o delegado.

Ele explicou que o PM fica sob custódia no quartel até a Justiça decidir o local para onde será transferido. A apresentação do PM foi feita pela própria Polícia Militar e ele estava acompanhado por seu advogado.

Quando questionado sobre a confissão e os detalhes do crime, o delegado inicialmente se mostrou reservado, prometendo mais informações em uma coletiva futura.

"Sobre a motivação e o armamento, vamos deixar para a coletiva de amanhã", disse Pick, repetindo a frase mais de uma vez. A insistência dos repórteres, porém, levou a uma confirmação. Ao ser perguntado "Ele só confessou, só falou que fez e pronto?", o delegado respondeu: "É, ele confessou, ele confessou, tá? Mas os detalhes, os pormenores, deixa para amanhã."

Edison Pick também confirmou que a investigação segue em andamento, já que outros envolvidos ainda não foram capturados. "As investigações continuam, tem mais diligências a serem cumpridas, temos um piloto a ser capturado ainda, então as investigações continuam", afirmou.

O paradeiro da esposa do soldado, Aline Valandro Kounz, também foi tema da entrevista. Ela também tem um mandado de prisão temporária expedido, mas segue foragida. O delegado confirmou que o PM não deu nenhuma informação sobre ela: "Não, não sabe onde a Aline está."

O crime

Rozeli foi assassinada em 11 de setembro, em Várzea Grande, enquanto saía de casa para trabalhar. A investigação sugere que o PM pode ser o autor dos disparos, efetuados por dois homens em uma motocicleta.

O crime estaria ligado a um processo judicial no qual a vítima cobrava R$ 24 mil de Mourão, valor referente a um acidente de trânsito envolvendo um caminhão de sua empresa. A ação pedia R$ 9,6 mil por danos materiais e R$ 15 mil por danos morais.

A personal trainer foi morta apenas cinco dias antes de uma audiência de conciliação agendada.

 

FOTO: REPRODUÇÃO