BUSCA POR DESAPARECIDOS

Lago do Manso é o ponto com mais acidentes náuticos em MT

 

Localizado a 65 km Cuiabá, no município de Chapada dos Guimarães, o Lago do Manso é o principal destino de lanchas e jet skis em Mato Grosso, mas o local esconde sob sua superfície tranquila uma geografia hostil que desafia até mergulhadores experientes.

Com pontos que atingem 80 metros de profundidade — o equivalente a um prédio de 26 andares —, o reservatório concentra o maior volume de ocorrências com embarcações e afogamentos na região de Chapada dos Guimarães.

O Lago do Manso, formado pela Usina Hidrelétrica de Manso, é um dos maiores espelhos d'água do Brasil, com uma área inundada de aproximadamente 427 km². Para efeito de comparação, sua superfície é maior que a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, que tem 380 km² de área.

Nesta quarta-feira (31) operações de resgate para localizar o empresário Lucas Yerdliska e o piloteiro Vando Celso Almeida Orro entraram no quarto dia desde o naufrágio no último domingo (28).

A tragédia só não foi maior porque uma criança de 6 anos conseguiu nadar até a margem para pedir socorro, salvando a mãe e o irmão de apenas 1 ano de idade.

Em entrevista ao g1, o tenente-coronel Heitor Alves de Souza, comandante de operações aquáticas, disse que o perigo reside na "falsa sensação de segurança".

Além dos abismos aquáticos, o leito do lago preserva o relevo original da Chapada, mantendo árvores inteiras e galhadas submersas que podem prender banhistas ou destruir cascos de embarcações que navegam em alta velocidade.

A corporação aponta que a imprudência é o principal combustível para as estatísticas negativas. A combinação de consumo de álcool, falta de coletes salva-vidas e o desconhecimento da profundidade real das margens transforma momentos de lazer em tragédias.

Atualmente, as equipes de resgate cumprem o protocolo de sete dias de buscas, contando com o apoio da Marinha para investigar se a embarcação envolvida no último acidente seguia as normas de segurança e lotação permitidas.

O naufrágio

A tragédia interrompeu as férias da família, que mora em Apucarana, no interior do Paraná. Após visitarem diversos pontos turísticos de Mato Grosso, Camila Mazzaron e o marido Lucas  Yerdliska decidiram fazer um passeio de barco pelo Manso na tarde de domingo (28), mas foram surpreendidos por uma mudança climática drástica.

Durante o trajeto, o vento e as ondas se intensificaram rapidamente, tornando a embarcação incontrolável até o naufrágio.

Um pequeno herói

O ato heroico do filho do casal, Bernando de apenas 6 anos, salvou a vida da mãe e do irmão de 1 ano. Em meio ao desespero do naufrágio, a criança conseguiu nadar até a margem do lago e pedir ajuda, o que viabilizou o acionamento imediato do socorro.

"O tempo virou, começou umas ondas muito fortes, um vento muito forte. Não deu nem tempo de nada, o motor desligou e a lancha já virou"

Graças ao alerta do pequeno Bernardo, os bombeiros localizaram Camila Mazzaron e o bebê de colo à deriva. Ambos foram encontrados conscientes e em bom estado de saúde, apesar do trauma.

"Eu empurrei o meu filho, o Bernardo. Foi ele quem salvou a minha vida e a do irmão dele. Ele conseguiu chegar na praia de um condomínio e pediu socorro"

Em entrevista ao MTTV, da TV Centro América, Camila detalhou o momento de pânico e a força da natureza no local. Ela relatou que o tempo virou de forma repentina, com ventos fortes e ondas intensas que provocaram o acidente.

Mesmo diante da gravidade, ela mantém a fé no resgate do marido e do piloteiro. “Acredito que eles estejam vivos. São adultos, não estavam com crianças no momento em que o barco afundou e podem ter conseguido nadar até alguma margem ou área de mata próxima ao lago”, afirmou Camila em um relato emocionante.

 

FOTO: REPRODUÇÃO