MATANÇA DE MULHERES

Mato Grosso registra 53 feminicídios em 2025

 

Em 2025, Mato Grosso atingiu o maior número de feminicídios dos últimos quatro anos. É o que aponta o Observatório Caliandra, criado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) para o monitoramento de casos. Ao todo, 53 mulheres foram mortas, o que representa um aumento superior a 10% em comparação com o ano passado, que registrou 47 casos.

As estatísticas apontam que, entre as vítimas, dez foram assassinadas em junho, mês que aparece em primeiro lugar no ranking de casos. Maio aparece em segundo, com sete registros, e outubro em terceiro, com seis.

Quanto aos dias da semana, a maioria das vítimas, sendo 17 mulheres, morreu na quinta-feira. A segunda-feira aparece em segundo lugar, e o sábado em terceiro, com oito casos.

Já em relação ao período do dia, 25 vítimas morreram à noite, 16 pela manhã e 11 à tarde.

Outro dado apresentado pelo Observatório Caliandra é o ranking por município. Sinop lidera com seis casos, Cuiabá ficou em segundo lugar, com quatro, e Várzea Grande em terceiro, com três registros.

Os demais feminicídios ocorreram em Vera, Tangará da Serra, São José dos Quatro Marcos, São José do Rio Claro, Ribeirãozinho, Poxoréu, Pontes e Lacerda, Peixoto de Azevedo, Novo Santo Antônio, Nova Xavantina, Nova Mutum, Nova Lacerda, Nova Guarita, Marcelândia, Juscimeira, Jangada, Jaciara, Itiquira, Guarantã do Norte, Confresa, Bom Jesus do Araguaia, Apiacás, Alto Boa Vista, Água Boa, Sapezal, Cotriguaçu e Nova Santa Helena.

Na maioria dos casos, as vítimas foram mortas com arma branca, totalizando 24 mulheres. Outras 19 foram assassinadas a tiros. Cinco morreram por asfixia, quatro por instrumentos contundentes e uma foi queimada.

A motivação mais comum está relacionada a ciúmes, inconformismo com o fim do relacionamento e menosprezo ou discriminação contra a mulher.

A faixa etária predominante das vítimas é entre 25 e 29 anos.

Crime hediondo

Desde 2015, o feminicídio é considerado crime hediondo no Brasil, ou seja, de extrema gravidade.

Além disso, em outubro do ano passado, foi sancionada a Lei 14.994/2024, de autoria da senadora Margareth Buzetti (PP), conhecida como Pacote Antifeminicídio, que endureceu as penas para feminicidas e ampliou os mecanismos de combate à violência de gênero.

Antes da nova legislação, o feminicídio era tratado como qualificadora do homicídio, com pena mínima de 12 anos e máxima de até 30 anos de prisão. Com a nova lei, em vigor desde 10 de outubro de 2024, a pena passou a ser de 20 a 40 anos de prisão.

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