TARIFAÇO DA CHINA

Acrimat demonstra preocupação com sobretaxa chinesa de 55%

 

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou apreensão diante da decisão da China de impor uma sobretaxa de 55% às importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas estabelecidas.

A medida, que também atinge Estados Unidos e Austrália, tem validade prevista de três anos e começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026. Segundo a entidade, o principal receio é que os custos da barreira comercial sejam repassados diretamente ao produtor rural.

Mato Grosso detém um dos maiores rebanhos bovinos do país, com cerca de 34 milhões de cabeças, e tem no mercado chinês o seu principal parceiro comercial.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam que a China absorveu 54,8% de toda a carne exportada pelo estado em 2025, evidenciando a dependência do setor em relação ao país asiático.

Histórico e mercado A Acrimat utilizou como exemplo o "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos no início de 2025 para ilustrar como mudanças súbitas na política externa podem desestabilizar o preço da arroba internamente.

"Qualquer incidente econômico impacta negativamente o bolso do pecuarista; é ele quem paga a conta no final", afirmou a associação em nota oficial.

A entidade ressalta que, embora os frigoríficos exportadores tenham condições de redirecionar o excedente para outros mercados, é necessário evitar manobras especulativas que prejudiquem quem está na base da produção.

Expectativa por apoio governamental Diante do novo cenário, os produtores mato-grossenses agora buscam a interlocução do Governo Federal. A associação destaca que as políticas de auxílio e negociação internacional precisam contemplar não apenas os grandes grupos exportadores, mas também o pecuarista que atua no dia a dia do campo.

Em novembro de 2025, o estado atingiu recorde histórico de exportações, superando 112 mil toneladas, desempenho que agora fica sob a sombra da nova política tarifária de Pequim.

 

FOTO: ACRIMAT