JÚRI POPULAR

Delegado diz que ex-marido de Raquel Cattani é frio, calculista e malandro

 

 

O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, responsável pelas investigações do caso Raquel Cattani, assassinada com 34 facadas em julho de 2024, afirmou durante a sessão de julgamento que Romero Xavier Mengarde, acusado de planejar o crime, se mostrou um homem astuto, calculista e frio. A autoridade policial também destacou comportamentos de perseguição e controle atribuídos a Romero em relação à vítima, dias antes do assassinato, além de tortura psicológica praticada ao longo dos anos que durou o casamento.

O réu está sendo julgado pelo Tribunal do Júri desde as 8h desta quinta-feira (22), na 3ª Vara de Nova Mutum (a 242 km de Cuiabá), cidade onde o crime foi cometido. O irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde, apontado como executor, também está sendo julgado.

Guilherme Negri relatou que o comportamento de Romero ao longo das investigações do caso era melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, características que levaram o delegado a acreditar que se tratava de uma pessoa “esperta” e “malandra”.

Outro ponto destacado pelo delegado foi a ausência de reação emocional de Romero, que não apresentou qualquer sinal de tristeza, abalo ou inconformismo, fato que chamou a atenção da equipe policial durante a investigação.

Quanto aos comportamentos de Romero nos dias que antecederam o crime, testemunhas confirmaram ao delegado que Raquel era constantemente perseguida. Em uma das ocasiões, a vítima teria sido surpreendida pela presença do criminoso no sítio dos pais dela. Conforme os relatos, ele apareceu de forma inesperada, à noite, causando choque e medo em Raquel.

Familiares e amigos da vítima também descreveram comportamento obsessivo, marcado por tentativas de controle, vigilância e interesse sobre onde e com quem Raquel estava.

A vítima também teria vivido anos de pressão psicológica, sendo tratada de forma desrespeitosa e agressiva por Romero, com quem foi casada por dez anos e teve dois filhos.

A conduta, classificada como tortura psicológica pelo delegado, gerou sofrimento intenso à vítima, com reflexos negativos nas crianças.

O crime

Romero Xavier foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento. Ele planejou o assassinato da ex-mulher e ofereceu R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier, para matá-la.

Com isso, Rodrigo entrou na casa da vítima, no Assentamento Pontal do Marape, na noite do dia 18 de julho daquele ano, e aguardou a chegada dela.

Raquel foi atacada com 34 facadas e, em seguida, o assassino revirou o quarto dela para forjar uma cena, furtou diversos pertences e fugiu usando a motocicleta da vítima.

O corpo foi encontrado no dia seguinte pela mãe de Raquel, Sandra Cattani. A vítima é filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).

Pelos crimes, Romero foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, emboscada, promessa de recompensa e feminicídio, cuja pena pode chegar a até 30 anos de prisão.

Já Rodrigo foi denunciado pelos mesmos crimes, além de furto qualificado. A pena dele pode chegar a 38 anos de prisão.

 

FOTO: REPRODUÇÃO