A Usina Hidrelétrica de Colíder (MT), localizada no Rio Teles Pires, em Itaúba, saiu do estado de "alerta" após corrigir as falhas no sistema de drenagem apontadas pelo Ministério Público do estado (MP-MT).
Segundo a empresa proprietária Axia Energia será feito agora o reenchimento do reservatório a partir desta segunda-feira (23) com limite de 25 centímetros por dia.
"O processo inclui monitoramento permanente da qualidade da água e da fauna aquática e terrestre, além de comunicação com as comunidades locais", disse a Axia, em nota.
A empresa orientou ainda que a população local acompanhe os comunicados oficiais para seguir os cuidados do período chuvoso.
O CASO
A Axia informou que de 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo. Os drenos são estruturas que permitem que a pressão da água sob a barragem seja escoada de maneira adequada.
Com isso, a usina reduziu o nível do reservatório para verificar as falhas nos drenos e aliviar a pressão sobre a estrutura. Contudo, essa medida gerou danos ambientais, como a morte de 1.500 peixes, alteração da qualidade da água, comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática, e prejuízos à fauna migratória.
O rebaixamento do reservatório comprometeu a atividade pesqueira, o turismo regional e o comércio local, segundo o MPMT, que citou um impacto no setor entre R$ 10 e R$ 12 milhões por ano. A medida também afetou eventos culturais tradicionais, como o “Fest Praia” e o “Viva Floresta”, além de dificultar o acesso das comunidades ribeirinhas ao rio, prejudicando seu modo de vida.
O ALERTA
Em agosto, a usina entrou em estado de "alerta" de acordo com investigação do MP. Quatro entidades civis denunciaram à Organização das Nações Unidas (ONU) o risco de rompimento da barragem.
A denúncia foi protocolada no departamento de Direitos Humanos à Água Potável e Saneamento da ONU.
No documento, as entidades destacam que o Rio Teles Pires é um dos mais impactados por hidrelétricas na Amazônia.
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