RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL

Juíza mantém mandante de assassinato de amante da esposa preso

 

 

Desde julho de 2025, Michel Bonotto, 35, está preso no Centro de Ressocialização de Sorriso, acusado de ser o mandante da morte do amigo Ivan Michel Bonotto, 35, com quem sua esposa mantinha um relacionamento extraconjugal. O acusado acabou de ter pedido de liminar de sua defesa negado pela juíza convocada Henriqueta Fernanda Lima, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A defesa pleiteava a suspensão da ação penal.

Gabriel Junior Tacca foi preso acusado de ser mandante da morte do amigo Ivan Michel, assassinado em uma simulação de briga de bar. O crime ocorreu na noite de 21 de março de 2025. Ivan foi esfaqueado na Distribuidora Tacca, de propriedade de Gabriel. O autor dos golpes foi Danilo Guimarães. Os dois viraram réus pelo homicídio qualificado contra Ivan.

No habeas corpus, os advogados alegaram constrangimento ilegal, sustentando suposta quebra da cadeia de custódia de provas, com extração irregular de dados de celulares e imagens de videomonitoramento, nulidade da decisão que recebeu a denúncia e ausência dos requisitos para manutenção da prisão.

No entanto, ao analisar o pedido, a magistrada destacou entendimento consolidado no Supremo Tribunal Federal (STF) de que a concessão de liminar em habeas corpus é medida excepcional. A regra é admitida apenas quando a urgência e a relevância estiverem evidenciadas de forma inequívoca, o que demandaria análise aprofundada do conjunto fático, sendo incompatível com a ação proposta.

Quanto à prisão preventiva, a magistrada entendeu que o juízo de primeira instância reavaliou a necessidade da medida com fundamento na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal, considerando a gravidade concreta dos fatos. Diante disso, o pedido liminar foi indeferido, mantendo o empresário preso até o julgamento do mérito do habeas corpus pela Quarta Câmara Criminal do TJMT.

O caso

Na época dos fatos, o agressor e também o dono da distribuidora afirmaram à polícia que se tratava apenas de uma briga de bar e que não conheciam a vítima. No entanto, após o início das investigações, ficou comprovado que Ivan era amigo próximo de Gabriel e que ele havia mentido em depoimento.

A polícia apurou, ainda, que a esposa de Gabriel, Sabrina Iara de Mello, mantinha um relacionamento extraconjugal com Ivan, a vítima. Ao descobrir da traição da esposa e do amigo, Gabriel contratou Danilo para matar Ivan dentro de seu estabelecimento, simulando uma briga a fim de disfarçar o crime.

Ivan era morador de Tapurah (433 km a Médio-Norte) e quando visitava Sorriso se hospedava na residência do casal, com quem tinha vínculo de amizade e também um "romance" com a médica enquanto o dono da distribuidora viajava. A vítima morreu na UTI em 13 de abril, 22 dias após dar entrada no local.

Conforme o MP, o envolvimento entre Sabrina e Ivan teria despertado um intenso sentimento de vingança e rancor em Gabriel, sendo a descoberta da traição e do relacionamento extraconjugal "o estopim" para o cometimento do crime.

 

FOTO: REPRODUÇÃO