Modelo de compra por consórcios intermunicipais preocupa empresários por excluir empresas dos municípios e reduzir circulação de recursos nas economias locais
Presidentes das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso discutiram os impactos do modelo de licitação de materiais escolares e outras aquisições adotado por municípios do Estado, especialmente por meio de consórcios intermunicipais. A reunião foi organizada no dia 06 de março pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (Facmat) e intermediada pelo presidente da entidade, Jonas Alves, por videoconferência.
A pauta vem sendo acompanhada pela Facmat e pelas Associações Comerciais há vários meses, a partir dos impactos observados após a adoção do modelo de licitações centralizadas nos consórcios para aquisição de qualquer suprimento que as prefeituras precisam, desde pneus, peças, materiais escolares, entre outros.
Conforme Jonas, o formato tem provocado prejuízos ao comércio local, pois a centralização das compras acaba direcionando a aquisição para empresas de fora do Estado. Com isso, recursos que antes circulavam nos municípios deixam de movimentar a economia local.
“Com essa prática, o comércio local acaba sendo excluído das aquisições de produtos, pois grandes empresas se unem e deixam as nossas de fora. Os empresários acabam lutando sozinhos, e a questão é muito maior do que apenas o segmento de papelaria. Outros setores, como vestuário, calçados e transporte, também acabam sendo prejudicados”, ressaltou.
A preocupação, diz ele, é com a permanência dos recursos dentro da economia estadual. “Nosso objetivo é cuidar das nossas empresas. Não faz sentido retirar recursos da economia do nosso Estado e enviar para outros lugares”, frisou Jonas.
Associações Comerciais se preocupam
Durante a reunião, a presidente da Associação Comercial de Campo Novo do Parecis, Ana Paula Fedrigo, relatou que no município ainda não houve avanços, apesar do diálogo com a gestão municipal.
“Esse ano novamente fizemos contato com a prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação. Apresentamos a sugestão do voucher e explicamos o quanto é difícil para os comerciantes locais, nesse período de volta às aulas, não contar com esses clientes”, afirmou, destacando que a entidade iniciou as articulações para tentar mudar a situação.
Outros presidentes de Associações também manifestaram preocupação com o tema e concordaram com a necessidade de buscar alternativas ao modelo atual. O presidente da Associação Comercial de Sinop, Fábio Migliorini, destacou que a adoção de voucher ou cartão para aquisição de materiais poderia beneficiar tanto as famílias quanto o comércio local.
“Com o voucher ou cartão, as famílias teriam mais liberdade de escolha e ainda evitaríamos desperdício de materiais escolares”, observou.
Para o empresário Ricardo Reis, proprietário da Papelaria Dallas, o sistema de compras por consórcios tem dificultado a participação das empresas locais nas licitações.
“O impacto para o comércio local é muito grande, porque grandes empresas entram com valores muito altos, e as menores não conseguem competir. Precisamos conversar com os prefeitos e mostrar que, muitas vezes, essas compras acabam acontecendo com preços superfaturados, enquanto as empresas daqui não conseguem participar”, afirmou.
Ao final da reunião, Jonas destacou a importância de as Associações Comerciais realizarem um levantamento em seus municípios sobre a participação em consórcios intermunicipais para a compra dos kits escolares e outros suprimentos.
“A orientação é que cada Associação Comercial verifique de quais consórcios o município participa, identifique as licitações às quais a prefeitura aderiu e dialogue com o prefeito para entender por que essas compras não estão sendo feitas no comércio local”, concluiu o presidente da Facmat.
Fotos: Divulgação










