A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso informou, por meio de nota, que instaurou uma investigação para apurar a soltura por engano do criminoso Marcos Pereira Soares, preso novamente nesta quinta-feira acusado de matar e estuprar a própria irmã, uma adolescente de 17 anos, em Cuiabá.
Segundo o comunicado, será verificado se houve falha humana por parte de policiais penais no momento da consulta ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).
“A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso instaurou procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas à soltura de um homem acusado de ter matado a própria irmã. Em análise preliminar, foi identificada possível falha humana na verificação de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois Registros Judiciais Individuais (RJI) vinculados ao nome da mesma pessoa”, diz trecho da nota.
Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a esposa de Marcos, Mariana Mara, também relatou a possível falha. Segundo ela, o suspeito teria deixado o presídio no último sábado (7) por engano.
De acordo com Mariana, Marcos foi liberado após obter uma decisão favorável em um processo em que é acusado de agredir uma mulher. No entanto, ele ainda permanecia detido no Presídio Ahmenon Lemos Dantas, onde cumpria pena de 19 anos de prisão pela morte de um vizinho. Além disso, também responde a outro processo por violência doméstica.
“Sim, ele saiu com alvará de medida protetiva. Só que acharam que ele estava preso por causa da medida protetiva. Não, foi um erro do presídio. Eu acho que, como era final de semana, o diretor não estava lá. No meio da chamada que eles fazem, não deram falta dele”, disse Mariana.
No depoimento, Mariana contou ainda que mantém um relacionamento com Marcos há cerca de oito anos. Segundo ela, os dois se encontravam na rua, já que ele participava do programa Nova Chance, que permite que detentos saiam da prisão para trabalhar e retornem depois à unidade.
“Como ele ficou cinco anos preso, a gente estava casado há oito anos. Mas é daquela relação de idas e vindas. Eu nunca cheguei a visitar ele no presídio. Eu via ele na rua, ele trabalhava na Nova Chance dentro da prefeitura, que o preso sai e depois volta”, explicou.
Mariana também afirmou que, antes de Marcos ser acusado de matar a irmã, ele já planejava sair do bairro Três Barras para morar em outro local. Segundo ela, a decisão ocorreu após a advogada do suspeito informar que o juiz Geraldo Fidélis, da Vara de Execuções Penais, havia determinado um novo mandado de prisão.
“A advogada ligou para nós falando que tinha saído um alvará errado e que o Casemiro do Ahmenon tinha pedido a captura para o juiz Geraldo Fidélis, da Vara de Execuções Penais. A gente se mudou para o Tancredo Neves porque ele ficou com medo dessa decisão do juiz. Ele dizia que não queria voltar para a cadeia”, relatou.
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