Juíza Mônica Catarina Perri tornou réus nove pessoas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros quando saía de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
O crime foi cometido em 5 de dezembro de 2023 e teve como motivação uma disputa de terra avaliada em R$ 100 milhões.
A denúncia, oferecida pelo Ministério Público, aponta como mandantes Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo. Eles foram denunciados por homicídio qualificado.
A decisão cita que ambos orquestraram uma organização que se empenhou em um verdadeiro pacto de silêncio, mediante pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 750 mil, para que os executores presos não apontassem os mandantes do crime.
Elenice teve a prisão preventiva decretada em decisão proferida nesta quinta-feira (11). O órgão ministerial citou a prática de formação de organização criminosa contratada para a execução do crime. Passam a responder por
organização criminosa Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater.
Gilberto Louzada da Silva também foi denunciado pela prática do crime de homicídio após a identificação, no curso do processo, de que participou do plano que resultou no assassinato do advogado. O Ministério Público já havia oferecido denúncia contra Etevaldo, Hedilerson e Antônio Gomes por homicídio qualificado.
Eles já foram pronunciados e aguardam presos a realização do júri. A nova denúncia, datada de 22 de maio, foi oferecida após o retorno dos autos do inquérito policial, que estavam sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nela, o MP pedia a decretação da prisão de Elenice, Peterson, Salézia e Mario Jorge. A prisão foi deferida para a apontada mandante, e medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, foram determinadas para os outros três.
A juíza autorizou ainda o compartilhamento dos autos com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá para que, se entender pertinente, instaure inquérito policial complementar destinado à apuração do envolvimento de outras pessoas no crime.
CAIXA DE PANDORA
Zampieri foi executado com 12 tiros quando deixava seu escritório após o expediente. Para ajudar na elucidação do crime, a polícia recolheu o telefone celular do advogado. A análise do conteúdo do aparelho revelou um sofisticado esquema de venda de sentenças no Judiciário de Mato Grosso e de outros estados, com implicações até no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A fazendeira Elenice Ballarotti Laurindo chegou, em 2024, a ser ‘descartada’ como mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri. Naquela ocasião, o juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), revogou as medidas cautelares impostas a Elenice, esposa de Aníbal Manoel Laurindo.
Em fevereiro daquele ano, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pediu a prisão temporária de Elenice e do marido. Em março, Aníbal se entregou à polícia e informou que Elenice faria o mesmo após se recuperar de seu estado de saúde.
Três dias após a entrega de Aníbal, o juiz suspendeu o pedido de prisão de Elenice e aplicou medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Na nova decisão que determinou a prisão de Elenice, a juíza Mônica Catarina Perri destacou que a situação processual da denunciada é, em essência, idêntica à de seu cônjuge, Aníbal, cuja prisão preventiva foi decretada e mantida, inclusive com o indeferimento de pedido de revogação por ausência de fato novo, ratificado em decisão de 21 de maio de 2026.
‘No caso de Elenice, a contemporaneidade está demonstrada não pela data do homicídio (dezembro de 2023), mas pela conclusão das investigações complementares conduzidas sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, das quais resultaram elementos individualizados e concretos de sua participação direta no esquema de pagamento — circunstância que não havia sido, até então, objeto de apreciação cautelar específica em seu desfavor’, cita trecho da decisão.
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