ESQUEMA NO JUDICIÁRIO

Assessora jurídica apontada em investigação é exonerada do TJMT

 

 

O desembargador Juvenal Pereira da Silva determinou, na tarde desta quinta-feira (25), a exoneração da assessora jurídica Mhayra Alves Pacheco Abes, lotada em seu gabinete no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A servidora foi alvo da Operação Falsa Vantagem, deflagrada na mesma manhã pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil. A investigação apura crimes como extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa. Mhayra é suspeita de integrar um grupo que vendia influência para anular penas de condenados pela Justiça.

Além dela, também foram alvos da operação o advogado Ademir Rosa Gomes, apontado como uma das lideranças do esquema. Uma policial penal de Chapada dos Guimarães (65 Km de Cuiabá) também é investigada, mas não foi alvo de medida judicial.

Em nota emitida logo após a operação, a Corte Estadual afirmou que tomou conhecimento do ocorrido por meio da imprensa. Após o fato, o desembargador determinou a exoneração de sua assessora, negando ainda qualquer envolvimento com as acusações.

"Tão logo soube da existência das investigações e da possível participação de uma servidora comissionada vinculada ao gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, o magistrado determinou sua imediata exoneração do cargo. O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso", cita trecho da nota.

Segundo dados do Portal da Transparência do Judiciário de MT, a servidora recebeu na folha de pagamento do mês de maio deste ano, entre salário e benefícios, tais como como auxílio-moradia, alimentação e outras regalias, a remuneração líquida de R$ 23.388,72.

Conforme o delegado de Polícia Civil Marlon Luz, responsável pelas investigações do caso, os alvos tiveram apreendidos seus celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

Em nota, a defesa de Mhayra Alves Pacheco Abes negou qualquer participação da ex-servidora nas supostas irregularidades apuradas pela Polícia Civil, afirmndo ainda que ela não praticou atos ilícitos e muito menos participou de qualquer esquema para obtenção de vantagens indevidas junto ao Poder Judiciário.

Além disso, conforme a defesa, a ex-assessora exercerá plenamente o direito à ampla defesa e ao contraditório e apresentará, no momento oportuno, os esclarecimentos necessários para demonstrar que não tem responsabilidade nos fatos investigados.

PJC

De acordo com a Polícia Civil as investigações tiveram início após um detento denunciar o esquema.

O grupo em questão teria prometido aos familiares do apenado a anulação da sentença imposta pela Justiça, afirmando que eles tinham acesso à servidora responsável pelas decisões, cobrando deles o pagamento de R$ 150 mil em espécie pela garantia do benefício ilegal.

A solicitação do pagamento em espécie, conforme apurado pela GCCO, foi empregada no intuito de dificultar o rastreamento dos valores. O pagamento, no entanto, resultou apenas na redução da pena do detento, e não na anulação da sentença, conforme a quadrilha havia prometido.

Insatisfeito com o resultado, o preso passou a exigir a devolução do dinheiro pago aos envolvidos no esquema, circunstância que também é objeto da investigação.

A Polícia Civil segue com as investigações e busca agora apurar a extensão do esquema criminoso, identificar outras possíveis vítimas e individualizar a participação de cada um dos envolvidos.

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