A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na manhã desta terça-feira (30), a Operação Extensão para desestruturar o braço financeiro e operacional de uma facção criminosa comandada por Leonardo dos Santos Pires, o "Sapateiro". Apesar de cumprir pena máxima no Presídio Federal de Catanduvas (PR), o criminoso utilizava comparsas para ditar ordens no estado. A ofensiva policial cumpriu mandados em Sinop (MT), resultando na apreensão de materiais e no bloqueio de R$ 55 mil das contas dos investigados. "Sapateiro" possui uma extensa ficha criminal com condenações que somam 245 anos de reclusão.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo de Sinop, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), de Cuiabá. Os investigados respondem por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram em 2024, após a transferência de Leonardo para o sistema penitenciário federal. Mesmo isolado em presídio de segurança máxima, ele teria mantido influência sobre a facção, repassando determinações que eram executadas por integrantes que permaneciam em liberdade.
As apurações apontam que os alvos desempenhavam funções estratégicas dentro da organização, sendo responsáveis pela distribuição de recursos provenientes das atividades criminosas e pela execução de ordens da liderança, garantindo o funcionamento e a expansão da facção na região norte do Estado.
Os investigadores também identificaram uma estrutura voltada à movimentação financeira, apoio logístico, habilitação de linhas telefônicas, ocultação de patrimônio e utilização de terceiros para dificultar o rastreamento do dinheiro obtido de forma ilícita.
Durante o cumprimento dos mandados, a polícia busca apreender celulares, documentos, mídias e outros materiais que possam fortalecer as investigações, além de identificar novos integrantes da organização criminosa.
Condenações
Sapateiro possui um histórico de condenações que ultrapassa 245 anos de prisão. Entre os crimes atribuídos a ele estão os assassinatos de uma adolescente grávida, de um ex-jogador de futebol e de um comerciante, além de diversos outros homicídios e crimes relacionados ao tráfico de drogas. Conforme a Polícia Civil, restam ainda 218 anos de pena a serem cumpridos.
Operação Extensão
O nome da operação faz referência à forma como a facção mantinha a atuação de sua principal liderança, mesmo com ela presa. Conforme a investigação, integrantes e pessoas interpostas executavam as determinações de Leonardo, permitindo a continuidade das atividades criminosas e ampliando a influência da organização no norte de Mato Grosso.
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