CARLINHOS BEZERRA

Assassino de casal é condenado a 36 anos de cadeia

 

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi condenado a 36 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da ex-namorada Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno.

O veredito do Tribunal do Júri de Cuiabá foi anunciado no final da noite de ontem  (31), após um longo julgamento presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.

O Conselho de Sentença acatou as teses do Ministério Público e reconheceu que o réu — filho do ex-governador Carlos Bezerra — agiu com extrema brutalidade e premeditação ao executar as vítimas a tiros em janeiro de 2023, após meses de perseguição sistemática (stalking).

O Conselho de Sentença reconheceu a prática de homicídio qualificado contra Thays Machado por motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Em relação a Willian César Moreno, o réu foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Na sentença, a magistrada negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade e determinou a manutenção da prisão para execução imediata da pena, com fundamento no Tema 1.068 da repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (STF). Subsidiariamente, também manteve a prisão para garantia da ordem pública.

Os crimes foram enquadrados nos artigos 121, § 2º, incisos I, III, IV e VI, c/c § 2º-A, inciso I, do Código Penal, em relação à vítima Thays Machado, e no artigo 121, § 2º, incisos I, III e IV, do Código Penal, em relação à vítima Willian César Moreno, com incidência da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), alterada pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), na forma do artigo 70 do Código Penal.

Durante a sessão do júri, a acusação sustentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) desmontou as teses defensivas do réu, que alegou ter atirado por "medo de apanhar" e por ter sido provocado por Willian. As provas periciais e os depoimentos das testemunhas comprovaram a existência de uma estrutura obsessiva de monitoramento.

Ficou demonstrado que Carlinhos Bezerra efetuou 914 ligações telefônicas para a vítima nos 18 dias anteriores ao crime, mantinha rastreadores por GPS, registrou 71 relatórios de geolocalização e anotava em cadernos os horários, itinerários e contatos telefônicos de Thays.

Provas de perseguição e dinâmica do ataque

O depoimento do delegado Marcel Gomes de Oliveira, primeira testemunha ouvida no julgamento e responsável pelas investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) à época, foi decisivo para demonstrar a premeditação.

O delegado detalhou a apreensão feita na casa do acusado, onde funcionava um escritório voltado para o rastreamento da vítima. No local, a polícia encontrou anotações manuscritas sobre os horários de saída de Thays, visitas a familiares, consultas médicas, pet shops e até o colégio da filha da vítima, além de ordens intimidadoras enviadas por aplicativo para que ela atendesse chamadas de vídeo.

Na tarde do crime, Thays e Willian estavam na calçada em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, quando Carlinhos aproximou-se em um veículo Renault Kwid bege, engatou a ré e efetuou diversos disparos de arma de fogo de dentro do automóvel.

Thays foi atingida pelas costas e morreu no local. Willian tentou correr para se proteger, mas foi alvejado e caiu sem vida a cerca de 30 metros de distância. O acusado fugiu para uma fazenda da família em Campo Verde, onde foi preso em flagrante horas depois pela Polícia Civil portando a pistola calibre .380 utilizada na execução.

Manobras da defesa todas rejeitadas

Antes do início das oitivas, a defesa de Carlinhos Bezerra tentou pela segunda vez adiar a sessão alegando problemas de saúde do acusado e supostas irregularidades no isolamento de testemunhas.

Os requerimentos foram prontamente indeferidos pela juíza Mônica Perri, com base em laudos médicos da unidade prisional que atestaram a plena aptidão física e mental do réu para submeter-se ao julgamento popular.

Com o veredito condenatório proferido pelos jurados, a magistrada fixou a dosimetria da pena privativa de liberdade, considerando as circunstâncias judiciais desfavoráveis, a valoração negativa do cerco obsessivo e o emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

O crime

O assassinato de Thays Machado e Willian Moreno ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. O casal foi morto a tiros por Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB).

Carlinhos manteve um relacionamento com Thays e não aceitava o fim da relação. As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e mantinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos.

Ao todo, foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download desses dados no celular e, posteriormente, os imprimia.

Além disso, os programas de monitoramento teriam sido instalados ainda durante o relacionamento. Thays já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos.

 

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