A Polícia Civil investiga se a bebê prematura encontrada morta na lixeira de um condomínio em Várzea Grande, no dia 23 de julho, é fruto de um relacionamento anterior da mãe, uma estudante de enfermagem de 25 anos.
Câmeras de segurança registraram a suspeita caminhando sozinha em direção aos contêineres de lixo com uma sacola preta na madrugada do ocorrido, enquanto a ocultação da gravidez ao atual marido é analisada pelas autoridades.
Em depoimento na Delegacia, a estudante, que permanece em liberdade, afirmou que teria entrado em trabalho de parto inesperadamente enquanto seu marido e seu filho, de três anos, estavam dormindo. Ela alegou não saber que estava grávida e por isso realizou o parto às pressas.
A estudante atribuiu a decisão ao “estado de desespero e confusão emocional em que se encontrava” e afirmou que a bebê aparentava estar sem sinais de vida após o nascimento. Depois de cortar o cordão umbilical, ela colocou o corpo em uma caixa de papelão junto com a placenta e outros resíduos do parto.
A perícia, no entanto, apontou que a recém-nascida nasceu com vida. O laudo de necrópsia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) indica que a bebê nasceu com aproximadamente 26 semanas de gestação, o equivalente a seis meses, e 750 gramas.
Conforme o delegado, a jovem só confessou ter jogado o corpo do bebê no lixo após ser confrontada com as imagens do circuito interno do condomínio. Ela negou ter realizado aborto e concordou em fazer exames que podem comprovar que nenhuma substância abortiva foi de fato utilizada. O laudo deve ser concluído no prazo de um a três meses.
Em coletiva de imprensa, o delegado afirmou que o material biológico da estudante já foi encaminhado para o laboratório. A princípio, o caso está sendo tratado como homicídio.
“Como a criança nasceu com vida, tinha ali uma vida e ela, na condição de genitora e mãe, tem o dever legal, pelo código penal, de proteção e guarda e vigilância. Então ela não pode simplesmente descartar, achando que já estava morta. Sobretudo, pelo fato de que nós apuramos, que ela é uma pessoa que tem um certo nível de conhecimento. Faz, inclusive, um curso de enfermagem. Então ela saberia muito bem como proceder. Chamar um socorro, chamar um Samu, chamar um vizinho”, explicou.
Os investigadores chegaram até a estudante por meio de análise das imagens e depoimento de funcionários e moradores do residencial. Segundo o delegado, houve um levantamento sobre quais pessoas poderiam estar grávidas no condomínio.
“Ela é uma das pessoas que os moradores, funcionários, identificavam como sendo uma das pessoas que estariam grávidas no condomínio. Ou seja, as pessoas identificavam que ela estava grávida, mas o marido disse que não sabia. Mas suspeitava, mas não procurou um acompanhamento pré-natal. E o marido disse que também suspeitava, perguntou a ela, disse que não sabia, que ia ver”, afirmou o delegado.
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