CASO GLEICI KELI

Imagens divulgadas pela família mostram momento da briga e pós ataque

 

 

Câmeras de segurança da residência onde Gleici Keli Geraldo foi assassinada, em Lucas do Rio Verde, flagraram toda a movimentação do companheiro antes, durante e após o crime. As imagens mostram desde discussões motivadas por dinheiro até o momento em que o suspeito, Daniel Frasson, pede socorro após atacar a esposa e a filha. O material foi divulgado pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, assistente de acusação que representa a família da vítima. Os registros detalham uma briga financeira na qual o homem reclama de um gasto de aproximadamente R$ 100 mil com equipamentos e serviços da Starlink.

As câmeras também registraram uma conversa de Daniel com a própria irmã sobre a situação vivida pelo casal. O conteúdo desses diálogos foi apresentado pelo advogado como parte dos elementos que devem ser considerados pela Justiça na análise do caso.

A sequência mais grave registrada pelas câmeras acontece pouco depois. Conforme o material divulgado por Rodrigo Pouso, Daniel aparece andando pela residência antes de pegar uma faca na cozinha.

Em seguida, ele caminha até o quarto onde estava Gleici e a ataca. A movimentação continua sendo registrada pelas câmeras. Depois de deixar o quarto, Daniel retorna para a sala. Na sequência, vai novamente até outro cômodo da residência, onde estava a filha do casal, e também a ataca.

Durante o episódio, a câmera registra a criança gritando “pai”.

Pouco depois, Daniel volta para a sala com a camisa coberta de sangue. Na sequência, ele próprio pede ajuda e chama uma pessoa que, segundo a descrição divulgada pelo advogado, seria um possível vizinho.

A sequência das imagens é utilizada por Rodrigo Pouso para questionar a tese de que Daniel não teria consciência dos atos praticados.

Em uma das publicações, o advogado afirma que Daniel teria verificado se a câmera estava funcionando antes do ataque e questiona se isso poderia indicar planejamento. A conclusão sobre eventual premeditação, porém, depende da análise das imagens e dos demais elementos do processo pela Justiça.

Além das gravações, o advogado divulgou uma mensagem enviada a Gleici horas antes do crime. O texto teria sido encaminhado pela cunhada da vítima, Fernanda, às 20h38. Na mensagem, ela orienta Gleici a esconder as facas da área de festa sem que Daniel percebesse: “Cuh, sem o Dani ver... a hora que ele for dormir, esconde todas as facas da área de festa, não sei... senti algo ruim!”

Para Rodrigo Pouso, o conteúdo levanta questionamentos sobre o que familiares sabiam a respeito da situação vivida pelo casal antes do crime.

O advogado também questiona por que a familiar teria feito o alerta e se havia conhecimento prévio de algum risco. Essas afirmações, contudo, não comprovam eventual participação ou omissão criminosa da mulher mencionada. Qualquer responsabilidade de terceiros depende de investigação e de eventual comprovação no processo.

FAMÍLIA CONTESTA TESE

A divulgação das imagens ocorre durante a discussão sobre a saúde mental de Daniel e a capacidade dele de responder criminalmente pelos atos praticados. Um primeiro laudo pericial apontou inimputabilidade. O resultado foi contestado pelo Ministério Público e pela família de Gleici, e uma nova avaliação foi determinada pela Justiça.

Posteriormente, uma junta formada por três peritos realizou nova avaliação. O laudo concluído em junho de 2026 apontou que Daniel apresenta esquizofrenia e transtorno bipolar e manteve a conclusão pela inimputabilidade.

A conclusão pericial ainda precisa ser analisada pela Justiça. O reconhecimento de inimputabilidade é uma questão jurídica relacionada à capacidade de entendimento e autodeterminação no momento dos fatos e não representa, por si só, uma absolvição automática.

É justamente nesse ponto que as imagens passaram a ser usadas pela acusação como elemento de questionamento. Rodrigo Pouso sustenta que a sequência registrada pelas câmeras deve ser confrontada com as conclusões dos laudos.

O CRIME

Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, foi morta dentro da residência em Lucas do Rio Verde. Daniel, companheiro da vítima e pai da filha mais nova, também atacou a criança, que sobreviveu após passar semanas internada.

Após o crime, Daniel tentou tirar a própria vida e acabou preso. Atualmente, permanece internado em uma clínica particular enquanto o processo segue em andamento. A família de Gleici atua como assistente de acusação, representada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda.

A defesa de Daniel não foi localizada para comentar as imagens divulgadas e os questionamentos apresentados pelo advogado da família. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

FOTO: REPRODUÇÃO