A juíza Caroline Schneider Guanaes Simões barrou o pedido de desinternação de Lumar Costa da Silva, autor do assassinato de sua tia Maria Zélia da Silva Cosmos em Sorriso (2019). A decisão contrariou relatório do Ciaps Adauto Botelho, apontando a necessidade de perícia da Politec para evitar "grave temeridade". Lumar havia recebido tratamento ambulatorial em 2025, mas foi reinternado após descumprir regras e ameaçar familiares.
Lumar chegou a confessar o assassinato durante interrogatório. Posteriormente, a Justiça o considerou inimputável, ou seja, sem capacidade, em razão de sua condição mental, de compreender plenamente o caráter ilícito de seus atos. Ele foi absolvido sumariamente e submetido a uma medida de segurança de internação psiquiátrica por tempo indeterminado pelos crimes de feminicídio, furto, roubo e dano qualificado.
Em junho de 2025, após laudo e parecer favoráveis à desinternação, ele conseguiu deixar a unidade para fazer tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Campinas (SP), sob acompanhamento do pai.
A experiência em liberdade, porém, durou poucos meses. Lumar voltou a apresentar condutas agressivas e ameaçadoras contra familiares, incluindo a ex-companheira e a filha. Os episódios resultaram em medidas protetivas concedidas pela Justiça de São Paulo e em investigação policial.
A desinternação foi então revogada e Lumar acabou recapturado em Campinas, em novembro de 2025. Desde então, permanece internado no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, em Cuiabá.
Neste ano, a equipe da unidade informou que ele está cooperativo, sem sintomas psicóticos agudos e com relativa estabilidade clínica, chegando a sugerir uma nova desinternação. A Defensoria Pública também defendeu o retorno ao tratamento em liberdade, enquanto o Ministério Público se posicionou contra.
Ao manter a internação, Caroline Schneider ressaltou que a estabilidade dentro de um ambiente hospitalar, com vigilância e medicação controlada, não significa que Lumar tenha deixado de representar risco em liberdade.
A magistrada lembrou ainda que relatórios anteriores registraram diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial (psicopatia) e que a primeira tentativa de tratamento fora da unidade terminou com novos episódios de violência e ameaças.
A juíza determinou que a Politec faça, com urgência, um novo exame para avaliar a periculosidade de Lumar. Até que o resultado seja apresentado e novamente analisado pela Justiça, ele continuará internado no Adauto Botelho.
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