O laudo definitivo de necropsia emitido pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) revelou a extrema violência e a crueldade que marcaram o assassinato do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos. Conforme os dados periciais divulgados nesta quarta-feira (14), a vítima não sofreu apenas três golpes como apontavam os levantamentos preliminares, mas foi executada com 13 facadas, que desferiram um choque hemorrágico agudo.
De acordo com o delegado responsável pelo inquérito na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Abreu, o exame médico-legal identificou lesões vasculares severas e fatais concentradas nas regiões do pescoço e do abdômen, que ditaram uma perda maciça e rápida de sangue. O documento técnico trouxe ainda um componente chocante: o professor sofreu três perfurações profundas na região genital e escrotal desferidas enquanto ele ainda estava vivo, evidenciando um cenário de tortura e sadismo antes da morte.
O requinte de violência fez com que a Polícia Civil de Mato Grosso passasse a capitanear o inquérito sob a tese jurídica de homicídio qualificado por meio cruel.
Breno estava desaparecido desde a noite de 26 de setembro, quando deixou sua residência no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande, e subiu na garupa de uma motocicleta.
O corpo do jovem foi localizado após quase duas semanas de buscas, enterrado em uma cova rasa em um terreno baldio no bairro 13 de Setembro, logo após a prisão do serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, o “Bigode”, que confessou a autoria material do crime.
Em seu novo depoimento à Polícia Civil, Elias tentou justificar a execução alegando que agiu para impedir que sua esposa descobrisse uma suposta relação extraconjugal. O assassino confesso sustentou que vinha sendo alvo de recorrentes extorsões e chantagens financeiras por parte do professor, versão que o comitê de inteligência da DHPP ainda checa com cautela e evita cravar como motivação definitiva.
A linha de investigação mais urgente da DHPP agora se concentra em desarticular a rede de apoio que operou no crime. Elias admitiu em ata de depoimento que contou com a participação direta de pelo menos outras duas pessoas na emboscada e na execução, revelando que havia um terceiro homem à espreita no local para garantir a morte do jovem.
As equipes policiais realizam buscas e quebras de sigilo telemático para prender os comparsas e descobrir se houve planejamento prévio com pagamento de recompensa ou se o crime foi chancelado por ordens de facções criminosas da Baixada Cuiabana.
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