FRIEZA ABSURDA

Ao saber de morte de mulher em mercado de VG, assassino debocha: Morreu mesmo, velho?

 

 

Um cenário de brutalidade misturado a um deboche escancarado chocou as forças de segurança da Baixada Cuiabana. Preso em flagrante após assassinar a facadas a sua companheira, Regiane Alves Rodrigues da Silva, de 38 anos, o suspeito Luciano Francisco de Moraes esbanjou frieza e ironia durante seu interrogatório informal capturado pelo programa Cadeia Neles. Ao ser confrontado na delegacia com a notícia de que o golpe desferido contra o peito da vítima havia sido fatal, o criminoso respondeu com um tom de inacreditável desdém: “Morreu mesmo, velho?”.

O feminicídio foi registrado na noite de ontem (19), no bairro Água Vermelha, em Várzea Grande. Conforme o boletim de ocorrência do 4º Batalhão da Polícia Militar, o casal iniciou uma ruidosa discussão em plena via pública por motivos fúteis, supostamente envolvendo falta de dinheiro para compras. Em uma tentativa desesperada de escapar das agressões e buscar socorro, Regiane correu e invadiu um supermercado da região. O agressor, contudo, a perseguiu até o interior do estabelecimento comercial e, demonstrando total desprezo pela vida humana, armou-se com uma faca que estava sobre uma mesa e golpeou a mulher diretamente na região do coração.

O CINISMO DA "FAQUINHA" E O HISTÓRICO DE AGRESSÕES - Mesmo diante das imagens de segurança e dos relatos de testemunhas que presenciaram o ataque, Luciano tentou traçar uma estratégia cínica para minimizar a gravidade da agressão física. Em seu depoimento, o assassino confesso insistiu na tese capenga de que não possuía a intenção de matar a companheira e ironizou o tamanho da lâmina utilizada para perfurar o tórax da vítima, alegando tratar-se de um objeto inofensivo.

“Eu peguei uma faquinha em cima da mesa e finquei nela”, disparou o criminoso, tentando reduzir o crime a um mero acidente doméstico.

A gravidade do ferimento exigiu o acionamento de emergência do Corpo de Bombeiros, que realizou os primeiros socorros dentro do mercado e encaminhou Regiane às pressas para o Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande. A hemorragia severa na cavidade cardíaca, no entanto, sabotou os esforços das equipes médicas, e a mulher faleceu pouco após dar entrada na unidade de saúde. Luciano fugiu a pé logo após o crime, mas acabou caçado e imobilizado por uma equipe do Grupo de Apoio (GAP 01) da PM que realizava varreduras pelo perímetro urbano do bairro.

Ao ser empurrado para a viatura, o histórico de violência doméstica do casal veio à tona. O suspeito admitiu em tom relaxado que já ostentava uma prisão anterior fundamentada na Lei Maria da Penha, justamente por agredir e ameaçar Regiane em episódios anteriores na Delegacia de Várzea Grande.

Demonstrando confusão mental e imprecisão sobre o tempo em que permaneceu atrás das grades, Luciano não demonstrou qualquer sinal de arrependimento pela reincidência. Informações colhidas no local apontam que o casal vivia em situação de rua na região metropolitana, o que dificultava o monitoramento de medidas protetivas.

O caso agora está sob os cuidados da Delegacia da Mulher (DEDM), que indiciará o agressor por feminicídio qualificado por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

 

FOTO: REPRODUÇÃO