LÍDER DO COMANDO VERMELHO

Angeliquinha é caçada na Bolívia e trancada no RDD em Cuiabá

 

A cúpula da segurança pública de Mato Grosso concluiu, ontem (20), o recambiamento de alta periculosidade de Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, apontada como uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Extremo Norte do estado.

Capturada em solo boliviano, a perigosa criminosa foi transferida sob forte escolta armada de Corumbá (MS) diretamente para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, na capital, onde foi imediatamente isolada no temido Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias.

A ofensiva integrada para capturar a chefe do tráfico internacional foi executada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e a Polinter, com o suporte aéreo do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Angeliquinha ostenta uma folha corrida assustadora, com penas unificadas que ultrapassam 260 anos de reclusão por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de capitais [Única News]. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando conseguiu fugir de forma misteriosa da mesma penitenciária em Cuiabá, instalando seu quartel-general de refúgio em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Operação Showdown

Mesmo escondida do outro lado da fronteira, a liderança do Comando Vermelho continuou operando com mão de ferro as bocas de fumo, execuções e o monopólio do crime na região de Alta Floresta e Sinop. A audácia e a interferência eletrônica de Angeliquinha foram rastreadas pela Polícia Civil, resultando na deflagração da Operação Showdown, que mirou seu núcleo familiar e uma rede de laranjas utilizada para lavar dinheiro do tráfico.

A devassa bancária e o bloqueio de contas revelaram que a organização criminosa sob as ordens de Angeliquinha movimentou mais de R$ 20 milhões em um intervalo de apenas 19 meses. O Ministério Público e a Polícia Civil conseguiram na Justiça o sequestro de dezenas de imóveis de luxo, veículos importados e a suspensão de empresas de fachada que eram utilizadas para dar aparência de legalidade ao faturamento ilícito da facção.

O peso financeiro e a capacidade de corrupção da investigada forçaram a 5ª Vara Criminal de Sinop a aplicar o isolamento em RDD, deixando a chefe do CV sem direito a visitas comuns, sem acesso a aparelhos de rádio ou TV e limitada a banhos de sol solitários, cortando totalmente sua comunicação com as ruas.

 

 

FOTO: REPRODUÇÃO REPORTER MT