Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) em Mato Grosso realizam, hoje (11), assembleia geral para decidir se aderem à greve nacional já definida para o dia 17 próximo, em plenária nacional da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).
“É mais um passo na luta contra a venda de um patrimônio público, a ECT”, disse Edmar Leite, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Mato Grosso (Sintect-MT). O Projeto de Lei 591/21 do Poder Executivo que autoriza a privatização dos Correios foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 5. A proposta estabelece condições para a desestatização da empresa e remete a regulação do setor à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Agora, o texto será apreciado pelo Senado.
Para o Sintect-MT, se aprovada no Senado, a venda da ECT vai prejudicar além dos trabalhadores, acabar com a função social e estratégica da empresa que atende os municípios em áreas remotas, com os programas de atendimento aos pequenos e médios empresários, que usam os Correios como único meio de enviar e receber seus produtos.
“Quem defende a privatização pensa que o trabalho dos Correios é apenas entregar encomendas”, diz. “Os Correios são correspondentes bancários e ajudam o governo na distribuição de várias ações sociais como a entrega das provas do Enem e das urnas eletrônicas, livros didáticos, campanha de aleitamento materno, vacinas, medicamentos de alto custo, entre outros”, completa.
Edmar Leite reforça que a ECT é uma empresa lucrativa que se mantém. Nos últimos 20 anos teve lucro líquido de mais de R$ 12 bilhões repassando 73% desses valores para a União investir em saúde, educação, segurança e asfalto. Em 2020, o lucro foi de R$ 1,5 bilhão. Só estes primeiros meses de 2021, o lucro dos da ECT já chega a R$ 1 bilhão.
Mas, sem investimentos nos últimos anos, o Correios viu sua força de trabalho diminuir. O último edital para carteiro, cargo com maior necessidade de pessoal, foi publicado em 2011. A mobilização é uma forma de pressionar os senadores que vão analisar a matéria. No dia 18, a categoria participa da greve do funcionalismo público. Também deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
FOTO: AGÊNCIA BRASIL – EBC









