A igreja, símbolo da cuiabania e da expressão de fé católica, localizada na região central da capital de Mato Grosso, está em processo de levantar recursos para uma nova restauração. A última foi em 2003 e, nesses 18 anos, passou apenas por reparos.
O arquiteto Igor Oliveira, da A4 Projetos, responsável pela gestão da equipe de projetistas desta nova proposta de restauração, sequer chama de ‘manutenção’ os reparos pelos quais a igreja passou, prefere chamar de ‘soluções’.
Isso porque um patrimônio histórico e cultural como é a Igreja do Rosário e São Benedito não passa por reforma, mas restauração. E todas as etapas precisam ser aprovadas pelos órgãos responsáveis. No caso, pela equipe do ‘Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico’ da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A nova restauração, cujos levantamento de demandas e captação de recursos estão em andamento desde 2018, está orçada, neste momento, em R$ 4,3 milhões. Isso para um projeto geral de ‘saúde’ da igreja, ou seja, preocupado em manter a edificação íntegra e segura, além de garantir mais vida útil a ela. “No primeiro momento, a gente tem que tentar manter a igreja em pé”, esclarece.
Portanto, não estão previstas restaurações nas partes “artísticas” da igreja, como retábulos (estruturas ornamentais à frente de um altar) folheados a ouro, portais, altar e sacadas - peças coloridas e entalhadas.
Além de engenheiros civis e arquitetos e profissionais que vão executar a obra, como pedreiros, são necessários para a restauração arqueólogo, engenheiro florestal, artesãos, engenheiro luminotécnico, engenheiro de som e projetistas, do ponto de vista de planilha orçamentária.
A restauração conta também com participação e apoio de profissionais da Secel-MT e do IPHAN.
Nesses três anos de estudos para uma nova restauração, já houve auxílio também de uma equipe de alunos e professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que fez “alguns serviços, levantamentos”.
HISTÓRIA - A igreja foi levantada na década de 1730 por mãos escravas e, na restauração, é fundamental ter acompanhamento de um arqueólogo, para resguardar peças removidas bem como outras que possam ser encontradas. Após, serão catalogadas e colocadas à exposição, com o registro histórico daquela peça.
O espaço de fé católica é um dos marcos de fundação da cidade de Cuiabá, tendo sido construído próximo às águas do córrego da Prainha. A fachada simples é típica da arquitetura colonial brasileira. A decoração barroca-rococó do altar e retábulos contrastam com a simplicidade externa, todavia.
Ela foi tombada pelo IPHAN em 1975, pela Fundação Cultural de Mato Grosso em 1987 foi incluída no perímetro tombado do Centro Histórico de Cuiabá em 1993.
A edificação, testemunha da história de Cuiabá, é também palco da Festa de São Benedito, mais longa festa religiosa do estado, que, após uma pausa em 2020, em função da pandemia do novo coronavírus, será realizada em outubro, com programação adaptada para o “novo normal”, com retirada de marmitas das comidas típicas e carreata substituindo o cortejo.
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