POR CAUSA DA PANDEMIA

Tempo dedicado aos estudos em MT foi inferior à média nacional

A pandemia do novo coronavírus causou impactos severos na educação em todo país. Em Mato Grosso, não foi diferente. Tanto que um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Social) mostrou que, em setembro de 2020, o tempo médio dedicado pelos alunos aos estudos entre o grupo dos 6 aos 15 anos foi de 2 horas e 3 minutos ao dia, três minutos a menos que o verificado entre a turma de 15 a 17 anos, com 2,6 horas.

Ou seja, inferior ao mínimo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 4 horas diárias e também abaixo da média nacional. Além disso, o período em que o estudante esteve em sala de aula ou fazendo atividades deixa o Estado apenas na 21ª posição do ranking “Tempo para escola” em horas por dia útil dentre as 27 unidades da Federação. Entre os 15 e 29 anos, essa dedicação em nível estadual é ainda menor, de apenas 55 minutos, deixando Mato Grosso na 23ª colocação.

Os dados constam na pesquisa denominada “Retorno para a Escola, Jornada e Pandemia”, divulgada quarta-feira (19) e conduzida pelos economistas Marcelo Neri e Manuel Camillo Osorio. Em nível nacional, em setembro de 2020, última coleta, crianças de 6 a 15 anos dedicaram 2h22min (em média 4,5 dias por semana) à escola, tempo menor que entre 15 e 17 anos, com 2,26 horas.

Ainda para o grupo de 6 a 15 anos, o Distrito Federal apresenta o maior indicador de tempo para escola, com 2 horas e 58 minutos. Na última colocação está o Acre com 1h23 minutos. Entre os 15 a 17 anos, o Distrito Federal também aparece com o maior tempo (3 horas) e o Acre (1h24 minutos) em último.

A evasão escolar aumentou na faixa entre 5 a 9 anos durante a pandemia, passando de 1,41% para 5,51% entre 2019 e 2020, crescimento de 197,8%. A taxa elevou o percentual a níveis observados em 2006. Os autores destacam também o percentual tímido de retorno de crianças da “geração Covid” às salas de aula no terceiro trimestre de 2021, quando o percentual caiu para 4,25%. A proporção é 128% maior em comparação ao nível pré-pandêmico.

A metodologia sugerida pelos autores considerou o tempo despendido pelos alunos em horas e minutos nas escolas usando dados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). Atualmente, os índices de evasão se limitam a calcular a presença escolar por número de matrículas registradas.

No quesito do tempo de aprendizado, alunos de baixa renda e escolas públicas tiveram as piores perdas: entre alunos inscritos no extinto Bolsa Família, agora, Auxílio Brasil– o período médio passou de 4h01 minutos em 2006 para 2h01 minutos em 2020. Na faixa entre 6 e 15 anos, discentes das classes A e B somaram 3h18min de tempo médio escolar em setembro de 2020, contra 2h05min de alunos da classe E.

Na noite da última terça-feira (18), o governador Mauro Mendes afirmou que a gestão tem trabalhado para que Mato Grosso passe a integrar a lista dos 10 estados com os melhores índices educacionais do país nos próximos anos, além de erradicar o analfabetismo.

“Estamos trabalhando para que Mato Grosso tenha uma das 10 melhores educações do país nos próximos cinco anos. Que seja um território livre do analfabetismo. Tenho muito orgulho dos hospitais que estamos construindo, dos milhares de quilômetros de asfalto que estamos entregando. Mas tenho certeza que vai encher meu coração e minha alma de orgulho em poder dizer que nós mudamos essa história da educação em Mato Grosso. Isso não tem preço”, afirmou.

A declaração foi dada durante o evento de posse dos diretores, adjuntos, coordenadores e assessores pedagógicos das Diretorias Regionais de Educação (DREs). Na oportunidade, Mendes citou o grande pacote de investimentos que tem sido executado na educação, desde a construção de novas escolas e quadras poliesportivas, reforma geral nas existentes, convênios para melhorias em centenas de unidades educacionais em todo o Estado, aumento do recurso descentralizado para os diretores fazerem reparos nas escolas, entre várias outras medidas estruturais.

Além disso, conforme o governador, o campo pedagógico também tem recebido investimentos massivos, desde a verba para os professores comprarem notebooks e internet, até a aquisição de um sistema estruturado de ensino da FGV, uma das instituições educacionais mais respeitadas do país.

“Estamos investindo em tecnologia porque ela abre um leque de oportunidades muito grande. Por isso que cada sala de aula vai ter uma Smart TV, para que esse recurso tecnológico possa ser uma ferramenta a mais na mão do professor. Porque as crianças hoje estão antenadas, então as nossas salas têm que ser mais atrativas. Vivemos em um tempo da capacidade de transformar o conhecimento em informação e resultado. É essa a escola que temos que pensar”, relatou.

Mauro Mendes ainda lembrou que foi a educação da escola pública que deu a ele a oportunidade de crescer profissionalmente e de hoje poder ocupar o cargo de governador. “Espero que os filhos da escola pública, esses 400 mil alunos que estamos tratando aqui, e tudo o que estamos fazendo é por eles, possam também ter essa oportunidade. Estamos fazendo isso para que daqui a 10, 20, 30, 40 anos, algum deles esteja aqui ou num lugar muito igual a esse falando como governador de Mato Grosso. Essa história estamos construindo com vocês”, disse.

 

FOTO: DIVULGAÇÃO