SEM DATA PARA NOVA SESSÃO

Sindicalista diz que Governo se cala e ignora servidores

 

Servidores públicos de Mato Grosso seguem no escuro diante da ausência de diálogo com o governo estadual, perante a tentativa de reconciliação dos 19,5% da Revisão Geral Anual (RGA) atrasados, resultantes da falta de recomposição salarial entre 2017 e 2024. Mesmo depois da sessão extraordinária frustrada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ontem (14), o Executivo manteve silêncio, sem sequer um pedido de desculpas aos servidores, conforme a presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP-MT), Carmem Machado.

De acordo com a presidente, o sentimento pós-sessão foi de constrangimento e frustração, já que havia expectativa concreta de avanço na pauta. Ela afirma que o governo tinha conhecimento prévio da sessão e tempo hábil para cumprir o rito legislativo, mas optou por ignorá-lo.

“O governador e a Casa Civil sabiam da convocação da extraordinária. Não foi surpresa para ninguém. Houve tempo suficiente para que o projeto fosse enviado. Mas, nós consideramos que isso foi um recuo do governo por medo de passar, não os 4.26% do RGA anual, e sim, as emendas previstas de reconhecimento de dívida. O governo ficou com medo, para mim isso foi uma manobra do governo, porque ele tinha certeza que ele iria perder se houvesse ontem uma votação, agora, o que acontece”, declarou à reportagem.

Para Carmem, o movimento escancara a visão do Executivo sobre a categoria, o que chamou de tentativa de desmobilização do movimento sindical.

“Achamos muito clara a tentativa de enfraquecer o movimento, mas isso não vai acontecer. Estamos fortalecidos porque estamos cansados de sermos invisíveis. Servidor pode até não eleger políticos, mas faz perder. E isso nós vamos demonstrar com muita força no processo eleitoral de 2026”, afirmou.

Ainda segundo a dirigente, após o fracasso da sessão, não houve qualquer tentativa de contato por parte do Executivo. “Nenhum pedido de desculpas, nenhuma ligação, nenhuma sondagem. Foi um silêncio total, um ignorar completo”, relatou. Para ela, a postura reforça a percepção de que não existe diálogo institucional com os servidores. “Perguntaram se a manifestação rompeu alguma ponte com o governo. Eu respondi com tranquilidade: nunca houve ponte.”

A FESSP-MT informou que realizou uma reunião fechada com presidentes de sindicatos e associações para definir os próximos encaminhamentos. Entre as possibilidades estão novas mobilizações, paralisações e presença organizada na próxima sessão da Assembleia Legislativa. A entidade também confirmou que pretende montar uma estrutura externa para acompanhar a votação, caso ela seja remarcada.

Enquanto o governo mantém silêncio, o RGA permanece travado, sem projeto, sem data e sem interlocução, aprofundando a crise entre o Executivo e os servidores públicos estaduais.

A reportagem procurou o Governo, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), mas não obteve retorno até o fechamento.

 

FOTO: SECOM MT