CHICO 2000 SEM CASSAÇÃO

Maysa diz que mais uma vez imagem da Câmara de Cuiabá sai arranhada

 

 

A vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Maysa Leão (Republicanos), admitiu durante entrevista coletiva aos jornalistas na Casa de Leis que “pegou mal” a rejeição da Comissão Processante contra o vereador Chico 2000 (PL). O parlamentar é investigado por suposta compra de votos, corrupção em licitação da obra do Contorno Leste e desvio de emendas parlamentares.

A votação ocorreu na terça-feira e registrou sete votos favoráveis à abertura da comissão, 15 contrários, uma abstenção e um parlamentar ausente.

Segundo Maysa, a população cuiabana tem demonstrado indignação pelo fato do vereador ter sido alvo de três operações policiais. Para ela, a abertura da Comissão Processante permitiria que o vereador apresentasse esclarecimentos à sociedade, sem que isso significasse condenação antecipada.

“Eu acredito que pegou mal para a Câmara, a população tem se manifestado, né? A gente viu nas redes sociais que as pessoas ficaram indignadas e eu vou repetir aqui o que eu já falei de reiteradas vezes. Uma comissão processante não é uma condenação prévia. A gente não deve abrir uma comissão processante quando ela for fútil, quando ela não tiver atrelada a ela a materialidade”, disse.

De acordo com a vereadora, a rejeição do pedido pode passar à população a mensagem de desinteresse por parte do Legislativo, ‘não queremos saber’.

“Nesse caso, a gente tinha um pedido que tinha materialidade atrelada e a gente ia dar ao vereador Chico 2000, a possibilidade de toda a defesa. Ninguém estaria dizendo que ele é culpado. Então, ao não abrir, é como se disséssemos, não queremos saber”, pontuou.

O pedido de Comissão Processante foi apresentado pelo advogado federal Julier Sebastião e pelo jornalista Juliano Rafael Teixeira Enamoto. O documento solicitava a instauração de procedimento que poderia resultar na cassação do mandato do parlamentar. As denúncias foram unificadas e submetidas à análise dos vereadores.

O requerimento foi protocolado após Chico 2000 ser alvo da terceira operação policial em menos de um ano e novamente afastado das funções. Na Operação Gorjeta, ele é investigado por suposto desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Conforme as investigações, parte dos valores destinados a projetos culturais e esportivos retornaria ao vereador mediante acordo com empresários.

Em abril de 2025, o parlamentar também foi alvo da Operação Perfídia, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), sob suspeita de negociar propina de R$ 250 mil para aprovação de projeto do Executivo. Na ocasião, foi afastado do cargo, mas posteriormente conseguiu reverter a decisão judicial e reassumiu o mandato em setembro.

Chico 2000 ainda foi investigado pela Polícia Federal por suspeita de compra de votos nas eleições de 2024.

 

FOTO: ASSESSORIA