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Thiago Almeida exalta apoio pleno, mas ausência do presidente da Câmara chama atenção

O discurso adotado pelo prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Almeida (União Brasil), no último fim de semana, evidenciou um tom de autoconfiança que contrasta com o cenário de questionamentos que cercam sua gestão.


Durante a assinatura do termo de comodato de um trator para produtores da comunidade de Ribeirão dos Cocais, o gestor afirmou que “precisa vangloriar” o fato de contar, segundo ele, com 100% de apoio da Câmara Municipal. A declaração, feita em tom de celebração, chamou atenção justamente por ocorrer em meio a denúncias e críticas que vêm sendo repercutidas na mídia local.


A fala do prefeito sugere uma percepção de controle político absoluto, mas levanta dúvidas quanto à sua correspondência com a realidade. Isso porque o atual presidente da Câmara, conhecido como “Amigo Vinte e Um”, não tem sido presença constante ou aliado direto nas principais ações do Executivo municipal, o que fragiliza o argumento de alinhamento integral entre os poderes.


Além disso, o momento escolhido para exaltar esse suposto apoio também gera questionamentos. A declaração ocorreu em um evento público que deveria priorizar a entrega de benefícios à população rural, mas acabou sendo marcado por um discurso de autopromoção política.


O posicionamento do prefeito também destoa do ambiente de pressão institucional enfrentado pela administração. Denúncias envolvendo possíveis irregularidades, como suspeitas de nepotismo e questionamentos sobre projetos e processos licitatórios, já chegaram ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso e ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, indicando que a gestão está sob análise de órgãos de controle.


Nesse contexto, a postura de exaltação adotada por Thiago Almeida passa a ser vista por críticos como um sinal de excesso de confiança, especialmente diante de um cenário que exige cautela, transparência e respostas claras à sociedade.


A combinação entre declarações enfáticas, questionamentos administrativos e possíveis inconsistências políticas evidencia um momento delicado para a gestão municipal, em que o discurso de unanimidade no Legislativo pode não refletir, na prática, a complexidade das relações políticas locais. 

 

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