Chegou ao fim uma longa negociação acerca do antigo prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Ontem (15), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) confirmou que a Comissão de Credores aceitou formalmente a proposta de R$ 30 milhões feita pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do imóvel.
A negociação avançou após o governo elevar a oferta inicial, que era de R$ 25 milhões. Ao final, o Estado pagará R$ 30 milhões à vista. No entanto, o custo total para garantir que a unidade não fechasse as portas é ainda maior: somando os recursos aportados desde 2019 para manter o prédio funcionando, o investimento estadual já ultrapassa a marca de R$ 60 milhões.
Com o aceite, o processo jurídico sai da esfera de negociação direta e entra na etapa de homologação. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), que faz a mediação das dívidas trabalhistas da instituição, dará a palavra final sobre o acolhimento da proposta e a formalização da transferência de propriedade ao Estado.
O governador Otaviano Pivetta ressaltou que a medida traz estabilidade para a saúde pública. "É uma situação que se arrasta há muito tempo, mas estamos cada vez mais perto de uma solução definitiva, garantindo segurança e continuidade no atendimento à população", afirmou.
Plano de expansão: de UTI a Home Care
Mais do que a compra das paredes, a SES-MT apresentou um plano operativo para transformar o Hospital Estadual Santa Casa em um complexo de alta complexidade com seis eixos de atuação. Estão previstos 196 leitos, distribuídos entre UTI (30), cuidados paliativos (40) e o inovador sistema de home care (70 leitos).
O cronograma de implementação já está definido:
- Maio a julho de 2026: foco em oncologia, nefrologia e manutenção de cirurgias;
- Agosto a novembro de 2026: implantação do "Hospital Dia" e ampliação de cuidados paliativos;
- Dezembro de 2026 a março de 2027: ativação da Central de Diagnóstico, Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e home care.
De acordo com o secretário de Saúde, Juliano Melo, o foco é garantir que o investimento retorne em assistência perene. "Todo esse aporte vai retornar para o cidadão em serviços especializados", garantiu. Se o TRT-MT der o aval nos próximos dias, o Estado assume o patrimônio de forma definitiva, encerrando um dos capítulos mais incertos da história da saúde na capital.
FOTO: TRT MT







