As sessões da Câmara de Vereadores de Várzea Grande seguem ecoando no meio política e na imprensa, mas infelizmente, de forma negativa. As sessões, que só ocorrem uma vez por semana, têm sido marcadas por acusações, xingamentos, discussões e muita polêmica. Ontem (26), a Casa seguiu o rito dos últimos tempos, dessa vez, o vereador Bruno Rios (PL), líder da prefeita Flávia Moretti (PL), e o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB) protagonizaram um bate-boca com direito ao famoso “cala a boca”.
O confronto ocorreu após Rios apresentar à Mesa Diretora um pedido para pautar projetos do Executivo relacionados ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), procedimento que, segundo Cerqueira, não estava de acordo com o regimento interno.
O emedebista interrompeu o uso da tribuna de Rios. A atitude, no entanto, não foi bem recebida pelo parlamentar, que elevou o tom e pediu que sua fala fosse garantida.
“O senhor garanta minha fala e me respeite. O senhor quer me interromper? Assim que eu terminar de falar, o senhor fala!”, disse Bruno.
O argumento de Cerqueira foi de que o pedido deveria ser apresentado durante a Ordem do Dia, e não no momento destinado à tribuna. “Tem que pedir a inclusão no momento certo”, afirmou o presidente da Casa.
Bruno Rios continuou a discussão e afirmou que tem sido interrompido constantemente durante suas falas no Legislativo. O vereador também declarou que o presidente da Câmara precisa cumprir o regimento interno e garantir o direito de manifestação dos parlamentares. “O senhor não é a lei. A lei é o regimento”, rebateu.
Mais tarde, já durante a Ordem do Dia, Bruno voltou a solicitar a inclusão das matérias na pauta, mas os pedidos foram rejeitados pela presidência da Casa. Wanderley Cerqueira justificou a decisão afirmando que houve desrespeito à condução dos trabalhos durante o bate-boca anterior.
Em outro momento da sessão ordinária, o líder do Executivo saiu em defesa da gestão da prefeita Flávia Moretti e criticou parlamentares que, segundo ele, cobram resultados imediatos enquanto projetos importantes seguem travados no Legislativo. Disse também que com esse tipo de atitude somada ao travamento de pautas da prefeita no Legislativo, quem sofre é a população, já que a cidade tem dificuldades para manter serviços essenciais.
“Quanta incoerência. Apontar o dedo é fácil. Difícil é pensar na população em primeiro lugar. O DAE está sem recursos e existem R$ 15 milhões aguardando liberação para pagar fornecedores e manter serviços funcionando. Para outros prefeitos era dado 15%, 20%. Para a prefeita Flávia Moretti, apenas 5%. Cadê a coerência?”, questionou.
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