ELEIÇÃO DA MESA DIRETORA

Bate-boca generalizado marca mais uma sessão da Câmara de Cuiabá

 

Bate-boca e confusão generalizada quase levam à suspensão de sessão na Câmara de Cuiabá nesta quinta-feira (9). A presidente da Casa, Paula Calil (PL), ameaçou interromper os trabalhos após o plenário virar palco de uma forte discussão. O tumulto começou durante protestos do grupo de Ilde Taques (Podemos) contra a alteração do regimento interno e a interferência do prefeito Abilio Brunini (PL) para viabilizar a reeleição de Paula. O clima esquentou quando o vice-líder governista, Demilson Nogueira (PP), confrontou a vice-presidente Maysa Leão (Republicanos). Ao ter o direito de resposta negado por Paula, Maysa protestou aos gritos, atraindo diversos parlamentares para a tribuna. A sessão foi retomada após os vereadores se dispersarem.

A base de Abilio questionava o artigo 77 que determina o quórum de dois terços do plenário para alterar o regimento, permitindo que Paula Calil concorra a reeleição. Wilson Kero Kero (PMB), que dividiu o plenário com Abilio quando o prefeito estava vereador, lembrou que o processo de cassação contra o bolsonarista foi invalidado pela Justiça pois o quórum exigido no dia da votação do processo não acompanhava a quantidade prevista na Constituição Federal. Segundo Kero Kero, 13 vereadores votaram, mas eram necessários 14 votos.

Paula emendou o vereador e disse que estuda com a assessoria da presidência o artigo 77. A vereadora defendeu a mudança do quórum de dois terços para o de maioria simples, argumentando considerá-lo como um "quórum democrático" e que manteria o seu pleito para viabilizar sua chapa à reeleição.

"Eu vou lutar dentro da legalidade. É ilegal recorrer à Justiça? Pra quê serve a Justiça?", questionou Paula Calil.

Maysa entrou no embate. A vice-presidente fez coro com os demais vereadores aliados a Ildes, desqualificando novamente a ação de Abilio. Conforme Maysa, a Justiça é uma alternativa após os recursos serem esgotados no Legislativo, mas, para ela, Abilio não foi coerente ao seguir direto aos tribunais.

"O plenário é soberano. O plenário não foi consultado e foi direto recorrido à Justiça", rebateu Maysa.

Em seguida, Katiuscia Mantelli (Podemos) chamou o próximo vereador inscrito, repassando o microfone a Demilson Nogueira que atacou Maysa. O vice-líder do governo criticou Maysa por trazer assuntos tratados de forma reservada pelos vereadores na presidência ao plenário.

"Não vou servir a ela de escada", disparou Demilson. "Passarei a tratar você com toda insignificância que você tem", emendou Demilson.

Maysa Leão pediu direito de resposta e foi ignorada por Paula. A presidente disse que Demilson não havia atacado a honra de Maysa. A vereadora exigiu que a seu tempo de fala fosse considerado, Paula voltou a ignorá-la e Maysa se levantou, gritando que sua honra foi atacada.

Os vereadores deixaram suas cadeiras e ficaram aglomerados junto a tribuna, pressionando Paula, que manteve o direito de resposta de Maysa negado e ameaçou suspender a sessão, encerrando a confusão.

 

FOTO: REPRODUÇÃO HNT