A CCJR da Câmara de Cuiabá deu aval ao projeto que autoriza a reeleição sucessiva na Mesa Diretora. O parecer favorável ao Projeto de Resolução nº 15/2026, apresentado pelo vereador Marcus Brito Jr. (PV), abre caminho jurídico para que a atual presidente, Paula Calil (PL), dispute o comando da Casa para o biênio 2027-2028. A matéria foi encaminhada ao Colégio de Líderes. Na justificativa, o autor baseia-se em decisões do STF que validam a autonomia dos parlamentos locais para definir sua organização interna, contanto que limitada a uma única recondução consecutiva, alinhando Cuiabá a outras 21 capitais.
A aprovação na comissão ocorre em meio a um impasse e uma batalha jurídica que envolve o Palácio Alencastro. O prefeito Abilio Brunini (PL) ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) questionando o quórum de dois terços (18 votos) exigido pelo regimento atual para alterações nas normas internas da Câmara.
A gestão municipal defende que a exigência viola a Constituição Federal e pede que mudanças regimentais possam ser aprovadas por maioria simples, o que facilitaria a aprovação do projeto de reeleição.
Atualmente, Paula Calil lidera um grupo de 14 vereadores, conhecido como 'G14', número insuficiente para atingir os 18 votos necessários sob a regra vigente. Diante dessa dificuldade numérica, a parlamentar utilizou a tribuna para fazer um apelo aos seus pares, argumentando que a alteração não garante sua vitória, mas apenas o seu direito democrático de entrar na disputa.
Calil reforçou que, caso o consenso não seja atingido ou a mudança regimental falhe, o grupo possui um "Plano B", com a candidatura do vereador Dilemário Alencar (União Brasil) à presidência, mantendo-a na chapa como primeira-secretária.
A oposição, liderada pelo vereador Ilde Taques (Podemos), único adversário declarado de Paula até o momento, critica a manobra e afirma que a votação deve ocorrer antes do recesso parlamentar, previsto para iniciar em 16 de julho.
Taques mantém a confiança em converter aliados da atual presidente para formar uma chapa única, enquanto o Legislativo aguarda a decisão da Justiça sobre o quórum de votação, que poderá redefinir o equilíbrio de forças na sucessão da Mesa Diretora.
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