A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), confirmou que deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) estão interferindo diretamente nas articulações internas da Casa de Leis. Durante coletiva de imprensa, ontem (24), a chefe do Legislativo cuiabano admitiu o assédio externo pela composição de forças no parlamento, embora tenha preferido não citar os nomes dos parlamentares envolvidos.
Calil ponderou que esses diálogos e pressões fazem parte da dinâmica política atual que antecede a definição das chapas, sinalizando que a bancada municipal mantém sua autonomia nas negociações de bastidores.
Ao abordar a relação entre os poderes e as pressões sobre a sucessão da Mesa Diretora, Calil foi enfática ao validar as suspeitas de ingerência externa. “Essas falas existem, e se existe interferência da Assembleia Legislativa? Existe. A gente vive num mundo político, na política nós temos diálogos e temos alinhamentos”, disparou a presidente.
Ela ainda ressaltou que sua posição atual é fruto de uma construção coletiva, e não apenas uma imposição direta do Executivo: “O prefeito Abilio não está aqui, mas o candidato dele era o vereador Dilemário, não era a presidente Paula Calil. [Meu nome] surgiu no segundo momento porque foi um consenso de um grupo, e nós estamos aqui por um grupo”.
A declaração de Calil corrobora as declarações feitas anteriormente pelo próprio prefeito Abilio Brunini (PL) e pela vereadora Samantha Iris (PL). Abilio já havia justificado medidas drásticas, como a exclusão de vereadores de grupos de articulação da base, alegando que parlamentares optaram por seguir orientações de um bloco político sob influência direta da AL.
Na mesma linha, Samantha Iris subiu o tom recentemente ao classificar a articulação de deputados estaduais como um "complô". Para a vereadora, o objetivo do grupo externo ao tentar controlar a Mesa Diretora da Câmara seria "botar a faca no pescoço do prefeito" e interferir diretamente na administração da capital.
Samantha defendeu que as ações do Executivo, como o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para alterar o quórum de votações no Regimento Interno, seriam medidas de "autodefesa" contra essa pressão vinda da Assembleia.
Por outro lado, o deputado Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa, negou qualquer tentativa de "queda de braço" pelo controle do Legislativo cuiabano, afirmando que sua atuação se limita ao apoio partidário ao vereador Ilde Taques (Podemos) e criticou a interferência de agentes externos, incluindo o próprio prefeito nas normas internas da Câmara, defendendo que a eleição da Mesa deve ser uma prerrogativa exclusiva dos 27 vereadores eleitos.
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