O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu que todas as 142 cidades do estado tenham pelo menos uma unidade de restaurante popular oferecendo refeições a R$ 2. A proposta será integrada ao Plano de Metas Mato Grosso 2050.
O anúncio foi feito durante uma agenda no Restaurante Popular de Cuiabá, onde o conselheiro almoçou com os frequentadores do local. Sérgio Ricardo destacou que a unidade da capital — marco inicial do projeto no estado — nasceu de sua própria articulação política em 2006, quando era deputado estadual, e que a experiência bem-sucedida de duas décadas agora deve servir de modelo para erradicar a fome em todo o interior.
“Hoje eu comi feijão e arroz, cozido de carne com mandioca, salada, guisado de abobrinha, sobremesa e suco. Tem pessoas em Mato Grosso que não têm isso para comer. Não tiveram ontem, não têm hoje e não terão amanhã”, afirmou, ao destacar que o estado tem 500 mil pessoas abaixo da linha da pobreza. “Então, vamos propor, dentro do Plano de Metas Mato Grosso 2050, Mato Grosso não passa fome”, salientou.
O presidente explicou que o número de unidades seria proporcional ao porte de cada cidade, sendo seis restaurantes para Cuiabá, quatro para Várzea Grande, três para Rondonópolis e quatro para Sinop e Nova Mutum, por exemplo. "Apesar de serem cidades ricas, tem gente passando fome”, ressaltou.
Sérgio Ricardo também propôs que a agricultura familiar forneça alimentos aos restaurantes populares, nos mesmos moldes em que já abastece a merenda escolar. O custeio, na proposta, seria dividido entre Governo do Estado e prefeituras, com a maior parte a cargo do Executivo Estadual.
Frequentadora do restaurante, Tereza Cordeiro recorre à unidade quando não pode cozinhar em casa ou almoçar na casa dos filhos. “Eu nem entendo muito de dinheiro, mas a R$ 2 a gente quase não está dando para comprar um café. A gente tem que agradecer”, disse ela. Moradora do bairro Altos da Serra, ela reforçou o apelo por uma unidade na região. "Não esquece da região do CPA. eu tenho certeza de que para muitos vai ser ótimo.”
Na ocasião, a vereadora Baixinha Giraldelli sugeriu a ampliação do atendimento para o jantar. "Acho que é pouco só o almoço. Quantas pessoas, crianças, adultos, velhos, dormem sem comer", afirmou.
Ela pediu ainda que o Governo crie incentivo fiscal para o comércio doar alimentos hoje descartados. "Quantas coisas o mercado joga fora, que o Governo do Estado poderia dar incentivo dando desconto nas notas fiscais no que é doado para entidades, prefeitura, não importa, para não ser jogado fora, reaproveitado e matar a fome da população”, acrescentou.
Já o vereador Dilemário Alencar cobrou compromisso dos gestores para o avanço da pauta. “É importante, nesse momento eleitoral, os candidatos a governador colocarem nos seus planos de governo o compromisso da criação de mais restaurantes populares, junto aos agricultores familiares, para que a produção da agricultura familiar possa ir direto para esses restaurantes, o que vai criar mais empregos na nossa cidade."
FOTO: ASSESSORIA







