DEFINIÇÃO

Convenção do União pode decidir rumo da eleição em Mato Grosso

A convenção estadual do União Brasil, marcada para esta quinta-feira (30), tornou-se o principal divisor de águas da sucessão estadual em Mato Grosso.

Mais do que definir os rumos de uma única legenda, a reunião deverá influenciar a composição das principais chapas ao Governo e ao Senado, destravar negociações entre partidos aliados, bem como indicar se a disputa pelo Palácio Paiaguás caminhará para uma eleição mais pulverizada ou para a consolidação da aliança governista.

De um lado, o senador Jayme Campos tenta convencer os convencionais de que o União Brasil deve lançar candidatura própria ao Governo.

De outro, o ex-governador Mauro Mendes defende a manutenção da aliança com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e trabalha para consolidar sua candidatura ao Senado.

INFO convençaõ união brasil

O resultado é aguardado com expectativa por praticamente todas as forças políticas do Estado.

MDB, Podemos e PL acompanham o desfecho da convenção porque dele dependem parte das negociações para composição das chapas majoritárias e das candidaturas ao Senado.

FEDERAÇÃO PODE LEVAR DECISÃO PARA BRASÍLIA - A disputa, porém, não se encerra necessariamente na convenção estadual.

União Brasil e Progressistas integram a Federação União Progressista e, pelas regras da aliança, cada partido realiza inicialmente sua convenção estadual.

Apenas depois ocorre a deliberação conjunta da federação.

Se União Brasil e PP aprovarem posições diferentes sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso, caberá à executiva nacional definir qual entendimento prevalecerá.

Na prática, isso significa que Jayme Campos poderá conquistar apoio suficiente entre os convencionais do União Brasil e, ainda assim, depender do aval da direção nacional da federação para confirmar sua candidatura ao Palácio Paiaguás.

Diante dessa possibilidade, o senador intensificou as articulações junto às lideranças nacionais da legenda e da federação.

CONVENÇÃO TERÁ VOTAÇÃO SECRETA - Além da disputa política, a convenção dependerá do cumprimento das regras internas.

Ao todo, 48 convencionais estão aptos a participar da votação.

Para que qualquer deliberação tenha validade será necessária a presença mínima de 29 votantes, equivalente a três quintos do colégio eleitoral.

A votação será secreta, realizada entre 11h e 16h, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em Cuiabá.

Os convencionais deverão se identificar com documento oficial, assinar a lista de presença e receberão uma cédula física para votação.

Encerrado o processo, a apuração ocorrerá imediatamente, na presença dos fiscais da comissão eleitoral.

JANAINA VIROU PEÇA-CHAVE - Outra variável que mantém o cenário em aberto é a movimentação da deputada estadual Janaina Riva (MDB).

Nos bastidores, ganhou força a possibilidade de a parlamentar deixar a disputa ao Senado para integrar uma eventual chapa encabeçada por Otaviano Pivetta como candidata a vice-governadora.

A hipótese, entretanto, enfrenta resistências dentro do próprio grupo governista e também entre aliados do MDB e do Podemos.

Segundo lideranças políticas, qualquer definição dependerá diretamente do resultado da convenção do União Brasil.

Se Jayme Campos for confirmado candidato ao Governo, Janaina tende a manter seu projeto ao Senado.

Caso o partido opte por permanecer na aliança com Pivetta, novas negociações deverão ser intensificadas.

CENÁRIO PODE MUDAR COMPLETAMENTE - O presidente da Assembleia Legislativa e do Podemos em Mato Grosso, Max Russi, avalia que a convenção do União Brasil representa o principal ponto de inflexão da sucessão estadual.

Na leitura dele, uma candidatura de Jayme ampliaria o número de concorrentes ao Governo e aumentaria as chances de segundo turno.

Já a manutenção da aliança com Pivetta concentraria forças em torno do atual governador e alteraria a estratégia das demais legendas.

O senador Wellington Fagundes (PL), que já teve sua candidatura ao Governo homologada pelo partido, também acompanha atentamente o desfecho da convenção.

Embora sua candidatura esteja definida, o resultado poderá influenciar futuras composições políticas e eventuais aproximações entre grupos que ficarem insatisfeitos com a decisão do União Brasil.

PRAZO TERMINA EM 5 DE AGOSTO - A definição desta quinta-feira ocorre na reta final do calendário eleitoral.

Os partidos têm até 5 de agosto para concluir suas convenções e homologar oficialmente candidatos e coligações.

Mesmo após a votação do União Brasil, entretanto, o desfecho poderá depender da direção nacional da Federação União Progressista, caso haja divergência entre União Brasil e Progressistas sobre o caminho que será adotado na disputa pelo Governo de Mato Grosso.

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