O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), abriu uma crise interna no Partido Liberal ao manifestar, em publicação nas redes sociais, ainda ontem - domingo (2) -, sua total discordância com a aliança firmada com o MDB de Mato Grosso. Abilio declarou que não cometerá "incoerência" política e cravou que não vai subir no palanque eleitoral do senador Wellington Fagundes (PL), candidato da sigla ao Governo do Estado.
A união entre as duas legendas foi fechada em Brasília por Valdemar Costa Neto e pela presidente estadual do MDB, deputada Janaina Riva — nora de Wellington e pré-candidata ao Senado —, atropelando as resistências da ala bolsonarista da capital.
Até então, Abilio evitava responder de forma objetiva aos questionamentos da imprensa sobre um eventual apoio à candidatura de Wellington. No entanto, após a confirmação da aliança entre PL e MDB, o prefeito rompeu o silêncio e afirmou que não acompanhará a composição.
Segundo ele, um dos principais motivos para a rejeição à junção se deve ao fato do MDB reunir os principais nomes que foram adversários do PL nas eleições municipais de 2024 em Mato Grosso.
"Não sou incoerente. O [Eduardo] Botelho, que foi meu oponente em Cuiabá e fala mal de mim e do [Jair] Bolsonaro, está no MDB. O Thiago [Silva], que foi oponente do Cláudio [Ferreira] em Rondonópolis, está no MDB. (...) O Kalil [Baracat] que foi contra a Flávia em Várzea Grande, está no MDB. Minha vice [Vânia Rosa], que mudou de partido, critica o Bolsonaro e me critica, está no MDB", lembrou.
Na sequência, o prefeito reforçou que os embates políticos travados nas últimas eleições impedem que ele trate antigos adversários como aliados.
"Brigamos na última eleição e continuamos oponentes. Agora querem colocar todo mundo no mesmo ônibus e fazer de conta que somos 'amiguinhos'. Não dá não", exclamou.
Até então, Abilio afirmava em entrevistas que seguiria as orientações do partido nas articulações para as eleições deste ano. Entretanto, ao comentar a formação da coligação, sinalizou que está disposto até mesmo a enfrentar a direção do PL para não apoiar a união entre liberais e emedebistas no estado.
"Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT, por fidelidade partidária tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim. Ou me libera, ou tolera, ou me expulsa. Com PT e MDB eu não vou", pontuou.
Primeira-dama também divergiu
Assim como Abilio, a primeira-dama de Cuiabá e vereadora Samantha Iris (PL) já havia afirmado, na semana passada, que teria dificuldades em apoiar Wellington Fagundes caso o PL confirmasse a aliança com o MDB. Na ocasião, ela disse que só definiria sua participação na campanha após a conclusão das negociações para a formação da chapa majoritária.
"Tenho aguardado para ver se vai haver uma junção com algum outro partido, como vai ser, antes de dar esse ultimato. O que preciso saber é como vão ser essas negociações, essas coligações", declarou à imprensa.
Em seguida, Samantha reforçou que sua decisão dependeria da composição da chapa.
"É um entendimento de partido. Mas e aí, vai ter coligação? O MDB vai estar junto? São essas as questões que estou aguardando", acrescentou, assegurando que "teria dificuldade" em apoiar Wellington caso ele se aliasse ao MDB comandado em Mato Grosso por sua nora, Janaina Riva.
Resistência entre filiados
A aliança entre PL e MDB enfrenta resistência de parte da ala bolsonarista do partido em Mato Grosso.
O principal motivo é que, no cenário nacional, o MDB integra a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), situação que gera desconforto entre lideranças da direita no estado.
Além disso, a pré-candidatura de Wellington Fagundes já dá sinais de divisão dentro do próprio PL.
Em junho deste ano, os prefeitos Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, ambos filiados ao PL, anunciaram apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), principal adversário de Wellington na corrida pelo Palácio Paiaguás.
FOTO: REPORTER MT







