O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), desafiou a diretriz nacional de seu partido ao vetar qualquer participação na aliança com o MDB em Mato Grosso. Mesmo com o veto de Valdemar Costa Neto a apoios cruzados, Brunini oficializou nesta quarta-feira (5) seu distanciamento da coligação. O estopim foi a convenção emedebista, marcada pelo apoio do senador Jayme Campos (União) a Janaina Riva (MDB) ao Senado, o que inviabilizou a presença do prefeito no mesmo palanque.
“Onde está Jayme, MDB, grupo do Riva, etc., não combina comigo. (…) Não estou com o MDB, não estou com os Campos, não estou com os Rivas, não estou com essa turma. Eu não vou subir onde estiver o MDB. Ontem ainda, minha decisão ficou mais tomada. Eu não vou subir nesse grupo aí não. A classe política está se reunindo em um grupo e eu não estou com esse grupo, não vou subir com grupo”, afirmou.
O prefeito disse que já comunicou sua posição ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontando que pretende concentrar sua atuação eleitoral em nomes ligados ao bolsonarismo e na campanha da própria esposa, Samantha Iris.
“Já deixei claro para o presidente Valdemar. Falei: presidente, minha campanha nesse ano vai ser Flávio Bolsonaro, José Medeiros, nossos federais, nossos estaduais, em especial a campanha da minha esposa Samantha Iris. Fora isso, não estarei no projeto dessas pessoas aí”, explica.
Abilio reforçou que não tem compromisso eleitoral para pedir votos a Wellington Fagundes, Janaina Riva ou Jayme Campos, embora reconheça que, por estar filiado ao PL, precisa respeitar as regras partidárias.
“Eu não sou obrigado a pedir voto para o Wellington, não sou obrigado a pedir voto para a Janaína, não sou obrigado a pedir voto para o Jayme, não sou obrigado a pedir voto para o MDB. Eu só não posso, pela legalidade, pedir voto para outro candidato. Meu partido tem um projeto, tem seu candidato”, emenda.
A declaração ocorre um dia após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reforçar a orientação para que filiados da legenda não peçam votos para candidatos de outras siglas ao Governo de Mato Grosso. Na prática, a determinação impede apoio eleitoral a Otaviano Pivetta (Republicanos), principal adversário de Wellington na disputa pelo Palácio Paiaguás, mas não obriga os liberais a pedirem votos para Janaina Riva.
A orientação, contudo, não determina que prefeitos, vereadores e deputados do PL façam campanha para Janaina Riva. Foi justamente essa brecha que permitiu a setores descontentes com a composição manterem distância do MDB sem, necessariamente, romper com a orientação partidária.
A decisão de Valdemar ocorreu após reunião com Abilio e José Medeiros, que manifestaram insatisfação com a aliança. Segundo Medeiros, o presidente nacional deixou claro que não obrigaria os integrantes do partido a fazer dobradinha ou pedir votos para Janaina, mas que não permitiria apoio eleitoral a Pivetta.
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