O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), confirmou uma reformulação em seu secretariado com a exoneração da secretária adjunta de Bem-Estar Animal, Maria Thereza Bonfim, a "Morgana". A servidora foi transferida imediatamente para comandar a secretaria adjunta de Cultura da capital.
Segundo Brunini, a dança das cadeiras foi necessária para estancar os constantes impasses na gestão do Bem-Estar Animal, que vinha enfrentando forte resistência e desgaste junto a organizações não governamentais e protetores independentes.
O prefeito ponderou que o remanejamento foi técnico, uma vez que a formação artística de Morgana se alinha ao perfil exigido na Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
“Ela tem duas habilidades muito grandes: uma é médica veterinária e a outra é uma excelente artista plástica. Você vai ver murais na cidade sobre isso. O que eu pedi para a Morgana é que, nesse momento, se dedicasse mais a essa parte da arte plásticas, enquanto a gente está reformulando o bem-estar animal”, afirmou.
Entretanto, ao ser questionado se haveria uma contradição ou um motivo mais profundo para a saída, Abilio admitiu que o cenário político e a relação com a sociedade civil pesaram na escolha. O prefeito explicou que, embora a gestão técnica estivesse ocorrendo, o ambiente tornou-se hostil para a secretária e para a própria administração municipal.
“Nós temos ali dentro do bem-estar animal, um conflito que não é de gestão, mas um conflito social, um conflito político. E acho que para sanar esse conflito social, há necessidade de fazer uma alteração de gestão. Não é que ela não colocou as coisas para funcionar lá dentro, ela colocou. Só que criou um conflito social com ONGs, com outras entidades. E aí fica insustentável. É ruim para a saúde mental dela, é ruim para a gestão ter uma relação com as entidades que seja uma relação conflituosa”, afirmou o gestor.
Abilio concluiu reforçando que a troca visa pacificar o setor e anunciou que o novo comando terá um perfil técnico e operacional.
“Então, para nós, entendemos que para colocar um reequilíbrio emocional dentro daquele espaço e melhorar a relação com as entidades, a gente vai colocar uma outra pessoa lá. A pessoa que a gente decidiu é veterinária e é policial militar”, finalizou.
O impasse foi desencadeado após a divulgação de vídeos pela Organização de Proteção Animal de Mato Grosso (OPA-MT), que mostraram filhotes de cães mortos dividindo o mesmo ambiente com animais vivos no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). As denúncias apontavam que os animais estavam em um barracão sem iluminação e com ventilação precária.
Em sua defesa, a prefeitura alegou que os cães estavam em isolamento emergencial devido a um surto de cinomose, uma doença viral altamente contagiosa, e que houve um "boicote" no fornecimento de energia do local. O caso, que resultou na morte de três animais, está sob investigação da Polícia Civil, do Ministério Público e da Politec. Como desdobramento dessa crise, a gestão municipal decidiu separar administrativa e fisicamente o CCZ da estrutura do Bem-Estar Animal, buscando reforçar os protocolos de segurança sanitária.
FOTO: REPRODUÇÃO HNT







