APOIO A ALAN PORTO

MPE investiga áudio com ameaças e cota de votos na Seduc

 

O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou uma investigação para apurar o suposto uso da máquina pública e da estrutura da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) para beneficiar a candidatura do ex-secretário da pasta, Alan Porto (Republicanos), à Assembleia Legislativa (ALMT).

O estopim da apuração é um áudio atribuído a Valmir Fernandes, diretor da Escola Estadual Santana do Taquaral, localizada em Santo Antônio do Leverger. Na gravação, feita dentro da unidade de ensino, o gestor pressiona professores e funcionários a votarem em Porto, sob fortes ameaças de demissão e transferência.

No áudio, o diretor revela que os gestores escolares da região se reuniram para fixar metas eleitorais. “São 13 diretores do município. Cada escola ficou com uma cota”, diz, estipulando que a meta de sua unidade é de 50 votos.

Diante da resistência da equipe, o gestor passa a usar de intimidação direta, simulando uma conversa com o ex-secretário: “Ele vai chegar em mim e falar: 'Diretor, realmente o senhor não conseguiu os 50 votos (...) Aponta para mim quem não votou em mim. Quem não me apoiou, eu mato'”, afirma aos subordinados. O alvo principal são os servidores temporários contratados. "E nós, contrato? Quem é contrato? Ah, nada", pressiona.

Para justificar o método, o diretor dispara: “Política chama-se jogo sujo (...) O político é mais sujo que poleiro de galinha”. Ele também admite ter negociado a construção de uma quadra poliesportiva para a escola com o candidato em troca dos 50 votos.

Esta não é a única frente de investigação contra o ex-secretário. O MPE e a Justiça Eleitoral também apuram:

  • Vídeo em Comodoro: Um registro nas redes sociais oficiais de Alan Porto em frente a uma escola municipal ao lado de servidoras uniformizadas.
  • Honrarias em Juara: Um evento na Escola Cívico-Militar José Dias, onde alunos perfilados em ordem unida prestaram continência ao ex-gestor da Seduc.

OUTRO LADO - Em nota, a assessoria de Alan Porto assegurou que todas as ações de sua campanha são conduzidas dentro da legalidade jurídica e eleitoral, e que eventuais questionamentos serão respondidos com transparência nos autos dos processos. Sobre os episódios em Juara, a defesa sustentou anteriormente que foram atos espontâneos da cultura da escola cívico-militar. A Seduc-MT não se manifestou sobre o caso.

 

FOTO: REPRODUÇÃO ALAN PORTO