REAJUSTE DO JUDICIÁRIO

Clima esquenta na Assembleia e Júlio manda seguranças agirem contra manifestantes

 

 

O clima esquentou nos bastidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ontem (9). O vice-presidente da Casa, deputado Júlio Campos (União), perdeu a paciência e acionou a equipe de segurança para intervir contra manifestantes durante uma coletiva de imprensa no Salão Negro. O parlamentar chegou a ordenar a retirada imediata de Rosenwal Rodrigues, presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), após ser interrompido várias vezes pelo barulho de servidores que ocupavam o local.

A ironia do episódio é que o desentendimento aconteceu exatamente no momento em que Júlio Campos concedia entrevista para defender a derrubada do veto ao projeto que prevê a Revisão Geral Anual (RGA) de 6,8% para os servidores efetivos do Judiciário. Visivelmente exaltado com o barulho, o deputado interrompeu sua fala para cobrar respeito, argumentando que estava ali atuando em favor das pautas daquela mesma categoria. Apesar do momento de forte tensão e do bate-boca, os ânimos se acalmaram minutos depois, e o episódio terminou de forma amistosa, com Júlio e o líder sindical selando a paz com um abraço.

Mesmo com o atrito, Júlio Campos reafirmou publicamente seu compromisso de pautar e votar pela derrubada do veto caso estivesse na presidência dos trabalhos. A urgência da votação cumpre uma determinação da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), proferida na noite anterior. A magistrada estabeleceu uma multa pessoal diária de R$ 50 mil ao presidente da Assembleia em caso de descumprimento, atendendo a um mandado de segurança movido pelo próprio Sinjusmat para forçar a votação aberta da matéria.

A batalha jurídica em torno do reajuste de 6,8% se arrasta desde dezembro de 2025, quando os deputados estaduais mantiveram o veto do Poder Executivo em uma votação realizada de forma secreta. Em agosto deste ano, a Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJ-MT acatou o pedido do sindicato e anulou aquela sessão legislativa, determinando que o veto fosse reavaliado de maneira transparente, por meio de escrutínio aberto.

A decisão do Judiciário não obriga os deputados a aprovarem o reajuste salarial, mantendo a autonomia política dos parlamentares para votar conforme suas convicções, mas impõe que o voto de cada um seja de conhecimento público. Nos bastidores do parlamento, Júlio Campos avalia que o sentimento da maioria das bancadas é favorável aos servidores e que a tendência atual é de que o veto do governo seja efetivamente derrubado no plenário.

 

FOTO: REPRODUÇÃO FATO AGORA