CASO ZAMPIERI

Defesa de coronel chama advogado de Vorcaro cuiabano ao abrir julgamento por execução

 

A abertura do júri popular dos acusados de assassinar o advogado Roberto Zampieri, realizada na manhã desta terça-feira (29) no Fórum de Cuiabá, foi marcada por uma forte declaração da banca de defesa. Ao chegar para o julgamento, a advogada Sarah Quinetti Pironi, responsável pela defesa do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, sustentou a inocência do militar e comparou Zampieri ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A defensora classificou o jurista executado como o "Vorcaro de Cuiabá".

Na avaliação apresentada pela advogada, Roberto Zampieri operava no centro de uma complexa teia de interesses escusos no Judiciário mato-grossense semelhante às fraudes e movimentações de compra de decisões investigadas em âmbito nacional envolvendo o controlador do Banco Master. Sarah Quinetti argumentou que o coronel Caçadini foi inserido de maneira forçada e sem provas como o suposto financiador do homicídio qualificado, em um crime de pistolagem que ele afirma categoricamente não ter cometido.

Com a comparação polêmica com Daniel Vorcaro, a defesa técnica busca deslocar o foco das acusações de homicídio para expor a teia de lobby e negociação de sentenças que veio à tona após a extração dos metadados do celular de Zampieri. A estratégia visa desidratar o relatório da Polícia Civil e demonstrar aos jurados do Conselho de Sentença que o militar de Minas Gerais não possuía motivos, conexões profissionais ou interesse financeiro direto para patrocinar a execução do advogado em Cuiabá.

Caçadini é um dos três réus julgados nesta terça-feira pelo Tribunal do Júri, apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso como financiador da execução do advogado. Também respondem à ação penal Antônio Gomes da Silva, apontado como responsável pelos disparos, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de atuar na intermediação do crime.

O advogado de defesa do coronel, Jayme Carvalho, também questionou a condução das investigações que resultaram na denúncia, classificando a apuração como uma “investigação sem eira e nem beira”. Ele ainda levantou dúvidas sobre a possibilidade de outras pessoas envolvidas no planejamento do assassinato não estarem entre os réus julgados nesta sessão.

Na mesma linha, o advogado de Caçadini Silvio Eduardo Polidoro afirmou que, para a defesa, o assassinato possui relação com as investigações envolvendo integrantes da magistratura estadual.

“A verdade é incômoda, ela é teimosa, mas ela é insistente. Devagarinho ela vai aparecendo.”

A defesa de Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos contra Zampieri, também afirmou que pretende apresentar elementos relacionados à motivação e à autoria intelectual do crime. O advogado Nilton Ribeiro disse que existem pontos ainda não esclarecidos na investigação. “Tem muita sujeira debaixo desse tapete”, afirmou.

O julgamento é conduzido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. O novo júri foi convocado depois que a primeira sessão, realizada em julho, precisou ser interrompida após um dos jurados apresentar um problema de saúde, levando à dissolução do Conselho de Sentença.

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