O tabuleiro político para a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou contornos de ironia e forte tensionamento de bastidores. A atual presidente do Legislativo, Paula Calil (PL), comentou com tom descontraído a reviravolta protagonizada pelo vereador Antônio Lemes (PSD), que participou de um jantar de fechamento de chapa com o grupo governista de Dilemário Alencar (União Brasil) na noite de terça-feira (29), mas mudou de posicionamento ontem (30), migrando formalmente para o bloco de oposição liderado por Ilde Taques (Podemos).
Ao analisar o recuo do colega de parlamento, Paula usou uma metáfora de bastidor para resumir a velocidade das negociações na capital. “Eu respeito a decisão do vereador Lemes, que dormiu conosco e não amanheceu. Assim como respeito a decisão do vereador Adevair Cabral (Solidariedade), que caminhou conosco até poucos dias e agora aparece na chapa do outro candidato, o vereador Ilde Taques”, disparou a chefe do Poder Legislativo. Adevair havia quebrado o cordão de alianças da base governista dias antes para também compor a nominata adversária.
Apesar do desfalque na contabilidade de votos — que reduziu temporariamente a musculatura da chapa de Dilemário e Mário Nadaf (PV) —, Paula Calil refutou qualquer clima de desespero ou a adoção de táticas de coerção contra os parlamentares indecisos.
A vereadora liberal enfatizou que a eleição interna, agendada para a próxima terça-feira (6), continuará aberta a modificações e que seu grupo manterá as rodadas de conversas sem recorrer a imposições. “Cada vereador tem a sua liberdade e responde pelas suas escolhas. Eu não trabalho com pressão, não trabalho com imposição. Trabalho com respeito, conversa e construção”, pontuou a presidente, assegurando serenidade na condução do rito institucional.
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