O resultado oficial das Eleições Gerais de 2026 neste domingo (4) selou o encerramento de um dos ciclos políticos mais longos e influentes da história contemporânea de Mato Grosso. Com a totalização dos votos pela Justiça Eleitoral, a família Riva ficou completamente sem representação em cargos eletivos no estado após 32 anos de presença contínua no poder. A dinastia familiar, iniciada em 1994 com a eleição do patriarca José Riva para a Assembleia Legislativa, foi interrompida de forma drástica com o revés duplo sofrido pelas irmãs Janaina Riva (na disputa ao Senado) e Jéssica Riva (na corrida para deputada estadual).
O principal golpe na estrutura do clã ocorreu na acirrada disputa pelas duas vagas ao Senado Federal, na qual a atual deputada estadual Janaina Riva (MDB) sofreu uma derrota marcante. Apontada no início da pré-campanha como uma das favoritas e consolidada em segundo lugar nos primeiros levantamentos, a emedebista perdeu tração na reta final e encerrou o pleito fixada na terceira colocação.
As duas cadeiras no Congresso Nacional foram conquistadas pelo ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e pelo deputado federal Zé Medeiros (PL), que impuseram um teto irreversível ao fôlego eleitoral da candidata.
Paralelamente, a estreia eleitoral da caçula da família, Jéssica Riva (MDB), também terminou sem sucesso nas urnas. Lançada para a Assembleia Legislativa (ALMT) sob as bênçãos e a estrutura partidária comandada pela irmã, Jéssica amargou a quinta colocação interna na legenda ao contabilizar apenas 25,3 mil votos, terminando bem atrás dos prováveis eleitos do partido — Dr. João, Leo Bortolin e Thiago Silva — e do ex-presidente da Casa, Eduardo Botelho, ficando de fora das vagas proporcionais.
Com este cenário, a partir de janeiro de 2027, nenhum integrante do sobrenome Riva ostentará um mandato eletivo no estado.
A CONTA CHEGOU – Bastidores da política local avaliam que o "derretimento" da candidatura de Janaina Riva ao Senado foi precipitado por uma sequência de erros táticos e escândalos de bastidores na reta final da campanha. O estopim do desgaste ocorreu já no limite do prazo legal, quando a candidata retirou Aluízio Lima e Ibrahim Zaher de sua chapa para anunciar os empresários Danilo Berndt Trento (1º suplente) e Rafael Yamada Torres (2º suplente).
Os novos aliados atraíram forte repercussão negativa e munição pesada dos adversários: Danilo Trento é investigado pela Polícia Federal no escândalo de fraudes bilionárias em descontos de aposentados do INSS e já havia sido indiciado na CPI da Pandemia; enquanto Rafael Yamada Torres responde como réu em processos criminais por lavagem de dinheiro e suposto "caixa dois" decorrentes de desdobramentos da Operação Sodoma.
A rejeição aos nomes culminou em decisões da Justiça Eleitoral que suspenderam as propagandas da candidata após acusações de que ela tentava esconder os suplentes das telas. Somado a isso, o racha ideológico na direita isolou a emedebista.
Alas mais rígidas do bolsonarismo purista, capitaneadas pelo próprio senador eleito Zé Medeiros, recusaram-se a dividir o palanque e a chapa "casada" com Janaina devido à sua proximidade familiar com o senador Wellington Fagundes (PL), direcionando o segundo voto dos conservadores para consolidar a vitória do grupo governista no estado.
Aliás, Janaína contribuiu para derrota do sogro, o senador Wellington Fagundes, que comprou briga dentro do partido para tê-la no palanque e acabou dando início ao racha histórico dentro de uma eleição em Mato Grosso.
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