O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) cravou seu nome na história política de Mato Grosso ao ser eleito para o Senado Federal com uma votação recorde neste domingo (4). Ao final da totalização dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mendes contabilizou 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos, estabelecendo o maior resultado eleitoral já registrado em solo mato-grossense. O desempenho esmagador desbancou o recorde anterior do ex-governador Blairo Maggi, que mantinha o topo do ranking desde as eleições de 2010 com 1.073.039 votos.
Engenheiro eletricista e empresário de carreira, Mauro Mendes consolida uma trajetória de vitórias sucessivas na Baixada Cuiabana e no interior. Ele ingressou no Executivo ao vencer a disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2012, administrando a capital até 2016. Em 2018, conquistou o Governo de Mato Grosso, sendo reeleito em primeiro turno quatro anos mais tarde. Em março de 2026, após sete anos e três meses à frente do Palácio Paiaguás, Mendes desincompatibilizou-se do cargo para lançar sua candidatura ao Congresso Nacional, estruturando um plano de marketing diretamente vinculado às suas entregas em infraestrutura, saúde e segurança pública.
“Minha gratidão a cada mato-grossense que confiou em nosso trabalho. Recebo esse resultado com muita responsabilidade e humildade. Vou ao Senado sabendo do tamanho da missão de representar Mato Grosso, defender os interesses do nosso Estado e trabalhar para corresponder à confiança que recebi nas urnas”, declarou o senador eleito.
No plano de atuação em Brasília, o novo senador adota o endurecimento radical das leis penais como sua principal bandeira. Mendes pretende capitanear propostas para a redução da maioridade penal para 16 anos e defende abertamente a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para permitir a instituição da pena de prisão perpétua para crimes violentos e hediondos contra a vida — dispositivos atualmente vedados pelas cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988.
Além de celebrar a marca histórica, Mauro Mendes usou a primeira entrevista coletiva após a contagem dos votos para analisar o forte impacto da renovação política no estado. O senador eleito afirmou que a derrota acachapante de Janaina Riva (MDB) na disputa ao Senado e o fracasso de Júlio Campos (União) na tentativa de renovar seu mandato na Assembleia Legislativa representam um recado claro e definitivo do eleitorado contra o controle hereditário de poder promovido por dinastias tradicionais.
“Olha, o povo é sábio, o povo sabe tomar decisão e deu a todos aquilo que mereciam. Mentira não contribui. O povo é sábio. A verdade venceu”, disparou Mendes ao comentar a derrocada dos antigos aliados.
Embora tenha adotado uma postura de cautela ao ser questionado se o resultado decreta o fim definitivo da "era Campos" na política regional, ponderando que a vida pública é feita de começos, meios e fins, o cenário prático das urnas é devastador para ambos os clãs. A família Campos, que mantinha presença em cargos eletivos de forma ininterrupta desde a década de 1970 com Jayme e Júlio Campos, ficará sem mandatos a partir de 2027. Do mesmo modo, o grupo da família Riva, iniciado nos anos 1990 pelo ex-presidente da ALMT, José Riva, e herdado por Janaina, despede-se do protagonismo institucional após três décadas de mandatos consecutivos na Assembleia.
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