ALMT

Nove deputados eleitos respondem a ações e investigações

 

A nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) iniciará os trabalhos da próxima legislatura sob o monitoramento rigoroso dos órgãos de controle e do Poder Judiciário. Um levantamento técnico dos prontuários jurídicos revela que pelo menos nove dos 24 deputados estaduais eleitos ou reeleitos no último domingo (4) respondem formalmente a inquéritos policiais, investigações cíveis, ações judiciais de improbidade ou já carregam condenações em primeira instância.

Conforme os dados consolidados pelo portal Gazeta Digital, a lista de pendências abrange um amplo espectro de supostas irregularidades, incluindo desvio de dinheiro por meio de funcionários fantasmas, abuso de poder econômico na reta final da campanha, crimes ambientais e até desdobramentos de esquemas de venda de sentenças judiciais.

No topo da lista de maior gravidade processual está o deputado reeleito Nininho (Republicanos). Em abril deste ano, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou uma denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal (MPF), transformando o parlamentar em réu pelo crime de corrupção ativa. A acusação aponta o suposto pagamento de R$ 7 milhões em propinas para viabilizar e direcionar o contrato de concessão da rodovia estadual MT-130, assinado ainda em 2011 no decorrer da gestão do ex-governador Silval Barbosa.

Outro caso de forte repercussão envolve o deputado reeleito Faissal Calil (PL), que ingressou no radar da Polícia Federal no escopo da Operação Gemini. A investigação apura uma suposta organização criminosa voltada à venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), tendo como base metadados e conversas extraídas do celular do advogado assassinado Roberto Zampieri. Relatórios da PF sugerem uma proximidade de Faissal com o desembargador afastado Dirceu dos Santos em negociações patrimoniais, acusação que o parlamentar nega de forma veemente, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos.

A suspeita de desvio de recursos públicos por meio da contratação de funcionários fictícios atinge dois parlamentares de peso do bloco do topo. O deputado Gilberto Cattani (PL) figura em apurações internas da Assembleia que monitoram a existência de servidores que receberiam vencimentos sem o efetivo exercício das atribuições na Casa. Paralelamente, o deputado eleito Ulysses Moraes (Podemos) responde a um procedimento investigatório aberto pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para averiguar se ele próprio teria atuado como "funcionário fantasma" na condição de servidor comissionado da ALMT antes de assumir cargos eletivos. O MP cobrou as folhas de ponto e os registros de nomeação da Mesa Diretora, enquanto a defesa de Ulysses classifica a denúncia como infundada.

O abuso do aparato estatal nas eleições de 2026 também se tornou alvo de Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs). A estreante Alessandra Ferreira (Podemos) enfrenta uma ação movida pelo partido Agir sob a acusação de usar bens, servidores e canais institucionais da Prefeitura de Rondonópolis — gerida por seu marido, o prefeito Cláudio Ferreira (PL) — para alavancar sua candidatura. A campanha de Alessandra foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Civil e da Justiça Eleitoral na véspera do pleito, em 3 de outubro, que resultou no confisco de R$ 235 mil em dinheiro vivo.

No mesmo espectro eleitoral, Fabinho Tardin (Podemos) foi condenado ao pagamento de multa de R$ 10 mil por propaganda antecipada durante a ExpoVG, em episódio que motivou o envio dos autos à Procuradoria-Geral de Justiça para investigar a execução de uma emenda parlamentar de R$ 3,5 milhões.

Por sua vez, o novato Adelcino Lopo (Podemos) entrou no radar do Ministério Público Eleitoral (MPE) após denúncias no aplicativo Pardal apontarem a suposta realização de eventos políticos com distribuição gratuita de churrasco e bebidas a eleitores da sua base.

Fraudes e Crimes Ambientais no Interior

A lista de eleitores sob litígio fecha-se com casos oriundos das prefeituras e propriedades rurais do interior de Mato Grosso. O ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcelos (PL), foi alvo de uma grande operação do Ministério Público Estadual (MPE) em setembro, que apura fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de dinheiro em cinco contratos municipais suspeitos que somam R$ 5,78 milhões com empresas parceiras. Barcelos refuta qualquer desvio e afirma que as contas de sua gestão são regulares.

Por fim, o deputado Chico Guarnieri (PSDB) carrega uma condenação transitada em julgado na Justiça de Mato Grosso por dano ambiental, sendo obrigado a indenizar os cofres públicos em R$ 51,4 mil pelo desmatamento ilegal de oito hectares de vegetação nativa em Barra do Bugres. Guarnieri contesta o tamanho da área degradada informada pelos relatórios ambientais.

A presença desse expressivo bloco de investigados no plenário desafia a blindagem ética do parlamento e sinaliza que os processos judiciais continuarão orbitando as decisões da Mesa Diretora e as comissões técnicas da Justiça Eleitoral ao longo de todo o próximo quadriênio.

 

FOTO: ALMT