A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso abriu uma ofensiva de bastidores para tentar conter o avanço conservador e reorganizar suas bases para o segundo turno presidencial. Em entrevista coletiva realizada ontem (13), representantes da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e de siglas aliadas anunciaram que a estratégia central do grupo até o dia 25 de outubro será focada na redução drástica da abstenção, na caça aos eleitores indecisos e no resgate de um contingente de votos perdido no estado.
O comitê progressista ligou o sinal de alerta após cruzar os dados oficiais de totalização de votos emitidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com os cálculos internos apresentados pelo bloco, o campo da esquerda sofreu uma desidratação de aproximadamente 52 mil votos em solo mato-grossense ao se comparar o desempenho atual com o capital eleitoral conquistado no pleito presidencial de 2022.
Para estancar a sangria e reverter o isolamento político na região metropolitana e no interior, os articuladores pretendem mirar prioritariamente na massa de 585 mil eleitores que faltaram às urnas no primeiro turno, enxergando nesse bolsão de ausências a principal oportunidade matemática para expandir a votação de Lula e fazer frente ao palanque unificado do senador Flávio Bolsonaro (PL).
MOBILIZAÇÃO GERAL NO ESTADO
Os partidos também pretendem ampliar a presença nas ruas e nas cidades do interior. Segundo os participantes, a articulação reúne lideranças políticas, militantes e apoiadores de diferentes municípios, com atividades previstas em regiões onde há presença de universidades e movimentos estudantis.
A programação mencionada na coletiva inclui manifestações de rua, rodas de conversa e atividades em cidades como Cuiabá, Rondonópolis, Várzea Grande, Sinop, Alta Floresta e Barra do Garças. Os participantes também citaram a mobilização de estudantes e de pessoas que não votaram no primeiro turno.
Além de buscar novos votos, a campanha pretende conversar com eleitores que apoiaram outros candidatos e que possam reconsiderar a escolha. A estratégia, segundo as falas registradas, será definida em conjunto com a coordenação da campanha no Estado.
Durante a coletiva, os participantes defenderam a manutenção da aliança que apoiou Lula no primeiro turno e tentaram associar a disputa presidencial a temas como programas sociais, saúde, educação e direitos trabalhistas.
Uma das representantes argumentou que eventuais cortes de despesas públicas poderiam atingir políticas voltadas à população de baixa renda. A declaração foi apresentada como crítica política ao projeto defendido pelos adversários.
A fala reflete a avaliação dos aliados de Lula e não representa, por si só, a confirmação de que programas específicos serão cortados.
PEDRO TAQUES DIZ QUE DISPUTA ENVOLVE DEMOCRACIA
O presidente estadual do PSB, Pedro Taques, também defendeu apoio a Lula e afirmou que a eleição não deve ser reduzida à disputa entre esquerda e direita. Ex-governador e ex-senador, ele argumentou que o debate envolve a preservação das instituições democráticas e o respeito aos direitos de quem perde eleições.
“Não se trata de ódio ao PT. Eu não sou do PT, eu já enfrentei o PT. Não se trata de ódio ao presidente Lula”, afirmou Taques, segundo a transcrição.
O dirigente declarou que pretende dialogar com eleitores indecisos e com pessoas que, mesmo identificadas com a direita, rejeitam posições autoritárias. A coletiva não apresentou uma estimativa independente sobre quantos votos os aliados esperam recuperar em Mato Grosso nem um cronograma completo das ações previstas para o segundo turno.
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