A guerra de trincheiras entre o Poder Executivo e o comando do Legislativo em Várzea Grande ganhou um novo e explosivo capítulo. Em entrevista coletiva concedida ontem (13), a prefeita Flávia Moretti (PL) subiu o tom contra o atual presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), desafiando-o a pautar imediatamente a eleição da nova Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Confiante na articulação de suas bases, a gestora disparou que o emedebista usa manobras regimentais para travar o pleito por puro medo do resultado: “Ele sabe que vai perder a presidência”.
As declarações contundentes de Flávia Moretti foram dadas durante o ato de inauguração da "Casa 22", o comitê central de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em Cuiabá. O desabafo da prefeita expõe a fervura política que tomou conta do segundo maior colégio eleitoral do estado após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretar a anulação da eleição interna realizada precocemente em maio — ocasião em que Cerqueira havia vencido o comando da Casa pela margem estreita de 12 votos a 11. Com a queda da liminar em Brasília, a oposição ao emedebista reagrupou-se e judicializou o caso para forçar uma nova votação.
Na avaliação da chefe do Executivo, a insistência da atual Mesa Diretora em ignorar o clamor do plenário reflete o completo derretimento do grupo governista anterior. Flávia revelou que a articulação de bastidores liderada pelo vereador Lucas Ribeiro Ductievicz, o "Lucas do Chapéu do Sol" (PL), obteve sucesso integral ao costurar um bloco majoritário e consolidar o apoio da maioria absoluta dos parlamentares para a formulação de uma chapa de renovação.
"É porque ele sabe que vai perder a presidência. Olha, a gente já tem a maioria. O Lucas conquistou a maioria dos vereadores. E com a eleição da Câmara, eu acredito que venha a ser uma nova reformulação na Mesa Diretora", disparou Flávia Moretti.
CASA DO TERROR - A crise na chamada "Casa do Terror" explodiu na última semana após Wanderley Cerqueira indeferir monocraticamente um requerimento administrativo que contava com a assinatura de 15 dos 23 vereadores da Casa, os quais exigiam a definição da data da nova votação. A canetada isolada do presidente provocou revolta, microfones cortados e agressões verbais na tribuna, empurrando o bloco de Lucas a protocolar um mandado de segurança na Terceira Vara Especializada da Fazenda Pública. O juiz responsável pelo caso, Carlos Roberto Barros de Campos, optou por adiar a liminar de urgência e fixou um prazo legal e improrrogável de 10 dias para que Cerqueira preste informações e explique os motivos da recusa, deixando o comando do parlamento sob forte cerco jurídico e político.
FOTO: SECOM VG






