O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) deu o pontapé inicial na engrenagem que promoverá uma ampla e profunda reformulação na estrutura do Governo de Mato Grosso para o mandato de 2027 a 2030. Após surpreender os bastidores ao oficializar o coordenador de sua campanha, Eduardo dos Santos Manciolli, no comando da chefia da Casa Civil, Pivetta confirmou que o redesenho do primeiro escalão está apenas começando. “Vai ter. Vai ter. Terão várias mudanças, vocês vão ver”, disparou o governador.
Para liderar a modelagem técnica desse "Estado mais enxuto", o Palácio Paiaguás escalou o ex-secretário de Fazenda, Rogério Gallo. O técnico será o responsável por elaborar um diagnóstico estrutural completo e apresentar um projeto de lei de reforma administrativa focado na fusão de secretarias, extinção de cargos comissionados redundantes e corte severo de despesas correntes.
A urgência do plano ganha contornos de necessidade fiscal diante do Orçamento Geral do Estado (OGE) projetado em R$ 46,12 bilhões para 2027, no qual a folha de pagamento e encargos sociais abocanharão R$ 25,34 bilhões — o equivalente a pesados 55% de toda a receita prevista.
A engenharia financeira capitaneada por Rogério Gallo não mira apenas o corte do custeio interno, mas busca criar uma blindagem contra os efeitos colaterais da transição do sistema tributário nacional. A extinção gradual do ICMS e a implementação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ameaçam secar as receitas estaduais e colocam em xeque a autonomia de Mato Grosso para conceder incentivos fiscais por meio de programas tradicionais, como o Prodeic, que historicamente funcionou como o principal imã para atrair indústrias ao estado.
O foco do novo plano de governo será acelerar de forma agressiva investimentos em logística rodoviária, modais ferroviários e redes de energia, garantindo que o diferencial competitivo do estado migre do incentivo de papel para a eficiência real de escoamento da agroindústria e do cinturão de grãos.
FOTO: SECOM MT






