A utilização da estrutura do ensino superior público como palanque político e ideológico ganhou um capítulo ruidoso em Mato Grosso. Sob a justificativa formal de facilitar o deslocamento de estudantes e servidores para a votação do segundo turno, a reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) decidiu suspender integralmente as aulas e atividades acadêmicas entre os dias 23 e 26 de outubro.
A paralisação dos campi, contudo, foi imediatamente engolida pelo aparelhamento eleitoral, com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) convertendo o anúncio institucional em uma campanha aberta e escancarada em favor do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A suspensão de quatro dias letivos acolheu uma reivindicação aprovada em assembleia geral dos estudantes. Porém, o teor do anúncio feito ontem (14) extrapolou os limites da razoabilidade e do zelo com a neutralidade que deve pautar uma autarquia federal, financiada com o dinheiro dos contribuintes.
Sem qualquer cerimônia ou blindagem jurídica, a liderança do DCE Cuiabá utilizou seus canais oficiais de comunicação para atrelar a liberação das aulas à necessidade de carimbar o voto na legenda de esquerda.
“Se o seu domicílio eleitoral é longe, planeje-se para votar no dia 25 de outubro e vote em defesa da universidade pública, vote Lula 13”, disparou a entidade estudantil em postagem oficial na internet.
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